Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Secretário de Alckmin 'passeia' em metrô lotado e analisa usuários

Jurandir Fernandes, responsável pela pasta de Transportes Metropolitanos, viu sistema abarrotado em um dia de manhã

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2013 | 12h30

SÃO PAULO - "Como tem gente que vem para trabalhar. Para onde vai esse povo? ", diz o secretário estadual de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, ao entrar na Estação da Luz, às 7h10, como mais um no meio da  "massa humana", como ele mesmo descreve a multidão que entra e sai dos vagões de trem.

O Estado acompanhou Fernandes no percurso pela linha 11 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e linhas 1, 2, 3 e 4 do metrô na manhã de quinta-feira, 27. Uma voltinha pelo sistema metroferroviário da cidade é um hábito comum do secretário antes da sua agenda começar, às 9h, para ver uma obra aqui e ali. Funcionários o cumprimentavam em todas as estações.

"Eles (servidores) têm medo que me ataquem. Eu não tenho medo. Mas eu quase fui morto por um motoqueiro. Naquele dia senti que não dá para dar muita bobeira, não. Ele devia ter levado umas 50 multas, instalei muitos radares em Campinas", afirmou o dirigente, que já foi secretário de Transportes na cidade do interior.

Acompanhado por assessores e seguranças do Metrô à paisana, Fernandes fez a viagem toda em pé. Não chegou a ficar esmagado, a não ser na Linha 3-Vermelha, do Brás para a República -- conhecedor dos macetes dos passageiros, ele seguia direto ao meio do corredor e evitava ficar próximo às portas.Ao mudar de andar, preferia usar as escadas convencionais, mais rápidas porque as pessoas não ficam paradas, segundo ele. "Estamos estudando parar todas as escadas rolantes nos horários de pico", disse ele.

Baldeação. Entre as baldeações, suas preocupações eram contar o tempo de intervalo dos trens e analisar o comportamento dos usuários. Com um olhar psicológico, Fernandes tentava desvendar por que as pessoas eram mais organizadas na fila da Linha 4-Amarela do que na CPTM. "É que na Linha 4 (Amarela) as viagens são mais curtas e as pessoas estão mais dispostas a ficar em pé. No trêm, as pessoas ficam ansiosas para conseguir um lugar sentado e são mais agressivas."

Outra incógnita para o secretário é porque as pessoas insistem em fazer a baldeação da Linha 4 para a Linha 2-Verde na Estação Paulista, quando na verdade elas querem sair do metrô . "Veja a quantidade de gente que segue reto e vai para a rua. A pessoa não sai pela linha amarela. Falta sinalização", afirma."Se eles (ViaQuatro, concessionária da Linha 4) quiserem deixar assim, para nós está bom. Toda essa massa de gente gera crédito para nós (por integração ao Metrô)".

O secretário também teve algumas vantagens para escapar do sufuco. Da Estação Paraíso à Sé, a viagem foi no contra-fluxo da manhã. Também a data era mais propícia. "Hoje (no final do mês) o movimento é um pouco mais suave do que nos primeiros dez dias do mês, quando as pessoas recebem o salário e saem para fazer pagamento", explica Fernandes.

Segundo o secretário, os corredores de ônibus que estão sendo lançados pela Prefeitura de São Paulo ainda não reduziram o uso do metrô e do trem em estações como Capão Redondo e Grajaú, na zona sul. "Por enquanto, não verificamos uma mudança".

A viagem de Fernandes teminou na Sé, por volta das 8h40 -- parte do tempo foi consumido com entrevistas e paradas. De lá, seguiu para a Secretaria de Transportes Metropolinos, na Rua Boa Vista, na região central. A pé.

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