Secretário atingido por bala de borracha no Pinheirinho se diz 'indignado'

Paulo Maldos criticou a forma como PM agiu em reintegração; TJ assume responsabilidade por ação

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 18h31

BRASÍLIA - O secretário nacional de articulação social, Paulo Maldos, se disse "indignado" após ser baleado neste domingo durante operação de reintegração de posse na comunidade Pinheirinho, área de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos.

 

"Eu tenho militância há algumas décadas, antes da ditadura militar, e pela primeira vez sou agredido dessa maneira, exatamente durante a democracia. E eu, como representante da presidente da República, sou agredido por uma bala (de borracha) desferida a poucos metros (de distância)", afirmou Maldos.

O secretário participava das negociações com os moradores na região nesse domingo, quando a Polícia Militar cumpriu mandado de reintegração de posse. O secretário levou um tiro na perna, mas passa bem e trabalhou hoje normalmente.

"Estou extremamente indignado, não por mim, mas pela questão simbólica da federação. Houve uma agressão ao pacto federativo. Estou indignado, foi uma ação absolutamente imprópria", criticou, estendendo as críticas à operação policial na região. "A comunidade Pinheirinho foi agredida de forma brutal, ao longo de todo dia, de ontem, pelas informações que a gente tem."

Apesar do episódio, Maldos disse que gostaria de voltar à comunidade. "Gostaria de visitar de novo, já em condições melhores, com a população feliz, com a população com as suas casas, gostaria de ver aquela comunidade com seus direitos constitucionais", disse.

Responsabilidade. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a mobilização policial ocorreu "por conta" e "responsabilidade" da Presidência do TJ-SP, com o objetivo de cumprimento de ordem judicial. "O efetivo da Polícia Militar em operação esteve sob o comando da Presidência do Tribunal de Justiça até o cumprimento da ordem", ressaltou.

Na nota, o TJ-SP informou ainda que o governo de São Paulo limitou-se na operação policial a ceder o "efetivo requisitado".

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