Secretária supera medo e pedala para ir ao trabalho em SP

Além dela, estudante e professora de educação física também usam bicicletas para evitar o trânsito

Carolina Spillari, estadao.com.br

26 de julho de 2008 | 18h08

Célia Moraes ia de carro para o trabalho. Secretária bilíngüe, de 31 anos, ficava presa nos congestionamentos. Olhava o trânsito, os ciclistas passando e pensava "por que não tenho coragem de ir de bike?" Ela resolveu perder o medo e comprar uma bicicleta para fazer o percurso de 14 quilômetros - ida e volta, quatro vezes por semana para o trabalho. A secretária reside na Vila Mascote, no cruzamento das avenidas Washington Luís e Vicente Rao, zona sul da capital.   No caminho, de bike, trafega pelas avenidas Santa Catarina e Roberto Marinho, no bairro do Brooklin, e a chegada é na Avenida Luis Carlos Berrini. Célia superou a frustração que sentia com o carro e deu lugar a um veículo mais simples, porém mais eficiente. A viagem dura 20 minutos e ela não fica presa no trânsito. A Roberto Marinho é elogiada por Célia. "Ótima para pedalar, plana, com muitas faixas e "pouquíssimos ônibus". Já a Washington Luís, Bandeirantes e Marginais são evitadas por Célia devido ao fluxo intenso.   Há um ano, antes de começar a usar a bike, testou o percurso em um final de semana e viu que era possível. Apesar dos benefícios para a saúde e bem-estar proporcionados pela atividade física, o suor pode ser um incômodo. Agora Célia está matriculada em uma academia próxima ao emprego para além de malhar, tomar um banho se sentir necessidade antes do expediente. "Não suo muito", conta.   No trânsito, a secretária bilíngüe diz que é preciso atenção para evitar acidentes. Até hoje não sofreu nenhum. "Sou muito ligada, muito antenada, tenho atitude defensiva, tento antecipar tudo o que acontece", dá a receita. Célia afirma estar mais feliz desde que trocou o carro pela bicicleta, apesar da preocupação da mãe e marido. "Prefiro a sensação de liberdade".   Ir de bicicleta pode ser um complemento na malhação e também um desafio em uma cidade como São Paulo, com uma frota de mais de 6 milhões de carros, ônibus e caminhões. Regina Cavaliere, de 25 anos, é professora de educação física. Ela mora na Vila Indiana, em Taboão da Serra.    pela Regis Bitencourt que ela enfrenta o trânsito num percurso de quatro quilômetros em linha reta para chegar à academia em que trabalha, no centro de Taboão. Mas só durante o dia ela utiliza a bike. Para voltar faz o mesmo trajeto em um parelela à Régis. Se precisa sair à noite, Regina prefere utilizar o ônibus como meio de transporte por medo de assaltos e atitudes dos motoristas.   Desde dezembro do ano passado começou a usar a bicicleta no cotidiano como meio de transporte, por inspiração do namorado. Regina já viu de tudo e sofre o duplo estigma de ser mulher e por estar de bicicleta no trânsito. "Já fui xingada até por mulher, e isso que estava na faixa da direita", conta.   O maior susto que já passou foi na passagem de uma bifurcação. O motorista do caminhão passou "quase grudado na guia" e bateu na bicicleta. "Graças a Deus não aconteceu nada, só entortou o guidão". Moradora do extremo sul da capital paulista, atesta que nos horários de pico é impressionante ver o número de pessoas de bicicleta. "É o transporte do século 21", incentiva.   Obrigações   Os ciclistas devem observar as leis de trânsito. De acordo com o artigo 105 do Código Nacional de Trânsito são itens obrigatórios para os portadores de bicicletas a campainha, assim como luzes na frente, atrás, na lateral, nos pedais (se à noite); além de retrovisor no lado esquerdo. Não há menção sobre capacetes, que são indicados. Roupas claras são as mais adequadas. De bike, deve-se andar à direita na pista.   Viver em Mannheim, na Alemanha, durante dois anos serviu como inspiração para Juliana Mateus, de 25 anos. A estudante de Comunicação de Artes do Corpo e estagiária sai da Vila Mariana todos os dias para chegar à PUC. No seu caminho estão a Tutóia, Estados Unidos, Sumaré, Turiaçu, Francisco Matarazzo.   Na volta "por cima", passa pelas avenidas Dr. Arnaldo e Paulista, além da Domingos de Moraes. Desde fevereiro deste ano adotou a bike e diz que muitas vezes se sente chata por sentir que precisa falar sobre a importância do uso em massa desse veículo não-poluente em São Paulo. Na cidade, não há uma política definida para a construção de faixas compartilhadas ou especiais para ciclistas.   Foi desde que adotou a bicicleta no cotidiano que disse começar a entender a cidade. "Antes era mais uma na massa, agora me sinto mais individualizada, não perco tempo no caminho e sou a única que chega na aula às 7 da manhã bem-humorada", diverte-se. Além dos 25 quilômetros que percorre até a universidade ela ainda dá outros passeios à casa de amigos e diz fazer até 80 km em um só dia. Coisa de atleta. "É o melhor vício que já tive", brinca.

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