Secretária quer fim do assédio nos ônibus de SP

Titular da nova pasta de Políticas para as Mulheres, Denise Motta Dau afirma que situação é "gravíssima" e vai definir estratégia de prevenção

ADRIANA FERRAZ , ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

07 Março 2013 | 02h08

A nova secretária de Políticas para as Mulheres, Denise Motta Dau, assume o cargo recém-criado com o foco em diminuir a violência doméstica e assédio sexual. Um dos objetivos é criar uma política de prevenção ao assédio sexual dentro dos superlotados transportes coletivos de São Paulo.

Denise classificou o problema na cidade como "gravíssimo". "Já fizemos o jornal do ônibus com a orientação para mulher que é vítima de violência, informando onde ela pode procurar auxílio", diz. Agora, ela pretende se reunir com o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, para estabelecer outras formas de evitar o problema. Ela chegou a cogitar até bancos separados dentro dos ônibus.

Não há estatísticas a respeito dos ônibus. No entanto, no ano passado, pelo menos duas mulheres foram vítimas de estupro dentro do metrô - o mesmo número de casos de 2011. No Rio de Janeiro, a solução encontrada foi criar um vagão exclusivo no metrô nos horários de pico.

Acostumadas ao aperto da hora do rush, as paulistanas cobram medidas para prevenir o assédio. "Tem essa história do homem ficar se encostando. No Rio, para evitar, tem o vagão separado. Mas ônibus separado seria difícil, né", diz a recepcionista Sandra Ancelmo, de 31 anos.

Uma estudante de 27 anos, que pediu para não ter seu nome divulgado, afirma que diversas vezes já sentiu que homens estavam se aproveitando, mas não fez nada. "A gente fica com medo, não sabe quem é o cara, o que ele pode fazer."

A auxiliar de produção Mayara Santos, de 20 anos, diz que nunca foi vítima, mas que não ficaria calada caso se sentisse ofendida ou abusada no transporte coletivo. "Se algo acontecer, tem de chamar a atenção na hora. Porque, se o cara faz uma vez, vai continuar fazendo com outras mulheres", afirma.

Vídeos. Além dos que se aproveitam na hora do aperto, as mulheres reclamam de homens que utilizam a câmera do telefone celular para fazer fotos e vídeos indiscretas das passageiras. As imagens acabam na internet, em perfis do Facebook ou do YouTube,

No Jornal do Ônibus, que geralmente fica colado como se fosse um mural dentro dos coletivos, a Prefeitura divulgou o número 180, para o qual é possível ligar 24 horas para fazer denúncias.

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