Secretaria nega que celas sejam escritórios do crime

Mesmo com evidências de que detentos usam celulares, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a tolerância é zero com relação à entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais.

Josmar Jozino, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

"Nenhum dos presídios da SAP funciona como escritório do crime organizado", destacou a secretaria, por meio de nota.

O governo diz que, além de coibir a entrada de equipamentos, realiza revistas periódicas e há vigilância constante dos agentes. Segundo a SAP, as 146 unidades prisionais do Estado estão equipadas com aparelhos de raio X e detectores de metal de alta sensibilidade. A pasta afirma que foram investidos R$ 34 milhões em equipamentos (com recursos federais). Foram apreendidos 7.723 telefones celulares em 2008, o equivalente a 644 celulares por mês.

Presos surpreendidos com celulares ou acessórios são punidos com 30 dias de isolamento. Neste ano já foram flagrados 194 visitantes, que tentavam entrar nas celas com esses aparelhos.

Para o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Núcleo Capital, a administração prisional melhorou na atual gestão, principalmente no combate à corrupção e à superlotação.

Rigidez. A disciplina na P-2 de Venceslau é rígida. Os presos só podem receber visitas de parentes de primeiro grau nas celas. Vigiados por homens do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) com cães farejadores, fuzis e escopetas, os visitantes ficam trancados por três horas, prática que já foi até considerada inconstitucional pela Justiça.

O presídio tem capacidade para 790 presos, mas até o dia 30 de junho abrigava 1.248. Na unidade estão detentos apontados pela Justiça como líderes do PCC. Apesar do rigor, não são raros os casos de corrupção na P-2. Funcionários já foram flagrados levando celulares para presos.

Em maio de 2009, foi descoberto um novo plano para levar aparelhos para os detentos, planejado por três meses: um helicóptero de aeromodelismo com motor silencioso, operado por controle remoto, seria dirigido até o pátio com nove aparelhos.

Em novembro de 2008, os detentos receberam uma entrega de 800 esfihas, algumas recheadas com celulares. Os aparelhos só foram descobertos porque um agente penitenciário resolveu comer uma esfiha.

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