Secretária do ABC vai assumir a Educação

A principal missão de Cleuza Repulho será zerar déficit de 148 mil vagas nas creches

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, PAULO SALDANÃ, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h02

A pedagoga Cleuza Repulho vai assumir a Secretaria Municipal de Educação no governo Fernando Haddad (PT). A pasta deve receber o maior orçamento da próxima gestão, com previsão de recursos de R$ 10 bilhões. A escolha tem o aval do petista Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, cidade onde atualmente Cleuza ocupa o mesmo cargo.

Amiga de Haddad, a futura secretária terá como principal missão zerar o déficit de vagas em creches da rede, atendendo à promessa feita durante a campanha. Hoje, há 148 mil crianças na fila.

A indicação da petista faz parte de um acordo firmado entre o diretório paulistano e representantes do partido no ABC, onde o prefeito de São Bernardo do Campo mantém uma espécie de liderança regional. É o segundo nome do ABC a integrar o secretariado de Haddad - nesta semana, ele anunciou José de Filippi Junior, ex-prefeito de Diadema, como secretário da Saúde.

Apesar de ter tido bom trânsito no Ministério da Educação (MEC), onde atuou por dois anos como assessora de Haddad na elaboração do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), Cleuza não foi a primeira opção. Haddad chamou primeiro para o cargo a antiga secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, mas ela recusou.

A lista de desafios não para na educação infantil. Com uma rede formada por 3.094 escolas, onde estudam 925 mil alunos, São Paulo ainda tem importantes demandas em relação à qualidade do ensino fundamental (do 1.º ao 9.º ano).

Ideb. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011, por exemplo, a rede municipal da capital nem sequer conseguiu bater as metas da cidade, que são consideradas tímidas por especialistas. Apesar de registrar leve melhora em relação a 2009, São Paulo ainda ficou abaixo da própria meta.

Do 1.º ao 5.º ano, a rede municipal tem Ideb de 4,8 e, do 6.º ao 9.º, o índice é de 4,3. A meta do Brasil é chegar à nota 6, média dos países ricos.

Entre 2005 e 2011, período que compreende a gestão Serra/Kassab, a rede municipal teve uma melhora de 0,7 ponto no Ideb - abaixo da média brasileira, das capitais e das cidades da Grande São Paulo (mais informações na página A18).

CEUs e Unifesp. Fora da sala de aula, os compromissos também são grandiosos. Na campanha, foram prometidos 20 novos Centros Educacionais Unificados (CEUs), expansão do transporte escolar e revitalização dos centros de inclusão para que nenhum aluno deficiente fique sem estudo.

O prefeito eleito também promete acelerar a instalação de uma unidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na zona leste da capital paulista. O terreno já foi pago pela gestão de Gilberto Kassab (PSD).

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