Seco há 27 dias, SP deve ter chuva só no domingo

Previsão para o Município é de dias quentes e noites frias durante toda a semana

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2012 | 03h05

Por causa do tempo seco, há dois meses a empresária Marcela Santanna Rosa, de 33 anos, trocou as corridas de fim de tarde no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, pelo exercício na esteira de uma academia. "Sempre preferi me exercitar ao ar livre, mas com essa baixa umidade fica complicado respirar e eu canso mais. Pelo menos na academia estou mais protegida da poluição", explica. Ontem, a baixa umidade do ar - 27%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - colocou São Paulo em estado de atenção.

Não há previsão de chuva até domingo. A última na cidade foi há 27 dias, em 17 de julho. Mesmo assim, a previsão é de que nesta semana, apesar do calor durante todo o dia, o clima seja mais úmido, especialmente entre amanhã e quinta-feira. Os motivos, de acordo com meteorologistas, são a mudança do sentido dos ventos e a aproximação de uma frente fria, que vem do Sul do País, mas não vai conseguir romper a "bolha de ar quente" que está parada no Estado.

"Ela traz mais nuvens para o Estado na terça e na quarta-feira e a umidade deve ficar entre 40% e 50%, não menos que isso", explicou o meteorologista da Climatempo Marcelo Pinheiro.

O tempo durante toda a semana vai continuar quente. As máximas ficam entre 26°C e 27°C. As noites continuarão frias, com temperatura entre 13°C e 14°C.

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias - asma, bronquite e rinite, entre outras - sofrem mais com a baixa umidade do ar. "Mas todo mundo precisa tomar alguns cuidados com a saúde nesta época do ano", alerta o pneumologista do Instituto do Coração (Incor) Ubiratan de Paulo Santos. O principal é ingerir muito líquido.

Problemas. A explicação é fácil. "Para transportar o ar que inalamos, as vias respiratórias precisam aquecê-lo à temperatura média de 36°C ou 37°C e umidificá-lo em 100%. Quando o ar que respiramos está com umidade de 20% ou 30%, o corpo tem de trabalhar muito mais", diz Santos. Por isso, em alguns casos, irritações na garganta são comuns.

"Esse tempo me faz muito mal. O nariz arde, a garganta fica ressecada e minha voz fica rouca", conta a cabeleireira Aleni Barbosa, de 45 anos. Moradora do Horto, na zona norte da cidade, ela costuma beber muita água, especialmente à noite, para amenizar os sintomas do tempo seco e, para cuidar do incômodo na garganta, receita mel morno antes de dormir. Ela diz ainda que sente muita diferença no clima quando vai ao centro. "É muito mais difícil respirar. No Horto, há mais vegetação, o que ajuda a deixar o ar mais limpo."

O principal problema do tempo seco nesta época do ano é a ingestão de mais poluentes. O médico afirma que receitas caseiras populares - como colocar um balde de água em um ambiente da casa - podem ajudar. "A umidade deixa as partículas de poeira e poluição maiores e mais pesadas. Com isso, elas ficam menos tempo no ar", explica.

E é isso que o vigilante Sérgio Moraes Palhano, de 42 anos, faz em casa. "Costumo colocar uma toalha úmida nas janelas. Tomo esse cuidado mais pela minha filha, que é pequena e pode sofrer mais", conta. Ontem, ele estava no Parque da Juventude com a filha Kelly, de 9 anos, que andava de bicicleta. "Sei que o horário é impróprio, mas eu estava de folga e ela queria muito pedalar", justifica o vigilante.

Ar-condicionado. O médico pneumologista afirma que usar ar-condicionado não é adequado no inverno, exatamente porque o aparelho retira água do ar. Mas exagerar na quantidade de panos úmidos ou bacias pode criar outros problemas, como a proliferação de fungos em sofás e tapetes.

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