Seca reduz número de horas de aula em escolas do interior

Município faz racionamento 12 horas por dia e escolas mudam o cardápio da merenda para economizar água

Brás Henrique, do Estadão,

18 de outubro de 2007 | 16h16

Os alunos das escolas municipais de Santa Cruz das Palmeiras, na região de Ribeirão Preto, vão ter uma hora a menos de aula por dia devido à longa estiagem e ao racionamento de água na cidade. São cerca de 3.100 alunos dos ensinos infantil e fundamental que têm menos horas de aula desde o dia 3 de outubro. "A preocupação era falta água nas escolas e termos que suspender todas as aulas", diz a diretora do Departamento de Educação do município, Vera Lúcia Pícolo Ceccarello. A medida será encerrada assim que chover bem na cidade e amenizar o perigo de falta de água. O racionamento ocorre desde 15 de setembro, durante 12 horas por dia, e fiscais da prefeitura multam que estiver desperdiçando água. Segundo Vera Lúcia, os alunos do período da manhã entram às 7 horas e saem às 11 horas, ao invés do meio-dia. Os da tarde entram às 13 horas e saem às 17 horas, e não mais às 18h. A medida teve três dias de experiência e, após uma reunião com os pais dos alunos, passou a ser direta. "Essa redução do período das aulas não representará prejuízo para os alunos", assegura a diretora de Educação.  Racionamento Algumas garoas que caíram nos últimos dias na cidade não foram suficientes para a interrupção da redução de aulas. Mas cerca de 10% dos alunos, que precisam de reforço, não saem mais cedo. Quando as escolas ficam vazias, os reservatórios são reabastecidos. O chão não é mais lavado, só varrido. A merenda também sofreu mudança: mais pães, frutas, leite e iogurte, por enquanto. Assim evita-se o uso de água para limpar panelas e louças. O racionamento de água em Santa Cruz das Palmeiras ocorre das 6 às 18 horas e isso tem acontecido há quase 30 anos em períodos de estiagem. Conforme recomeçar as chuvas, o tempo de falta de água será diminuído gradativamente até voltar tudo à normalidade. Uma campanha de conscientização contra o desperdício de água está sendo realizada na cidade e a Carta das Águas, divulgada em março, prevê a recuperação de matas ciliares de 8 quilômetros dos rios. A meta da prefeitura é plantar 80 mil árvores. Cerca de 7,5 mil já foram plantadas e outras 2,5 mil deverão ser introduzidas às margens dos rios até o final deste mês.

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