Seca faz SP ter dia mais poluído do ano

Alta concentração de ozônio fez 12 das 17 estações da Região Metropolitana registrarem ontem qualidade má ou inadequada de ar

Rodrigo Burgarelli , Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

São Paulo teve ontem o dia com o ar mais poluído neste ano. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), cinco das 17 estações de medição de qualidade do ar na Região Metropolitana registraram a classificação "má", enquanto outras sete foram classificadas como "inadequadas". Nenhuma conseguiu índice bom. O ozônio foi o grande vilão.

Na capital, as piores áreas foram a Universidade de São Paulo (USP) e o Parque do Ibirapuera, onde os níveis do gás chegaram a 203 - o aceitável é até 101. A qualidade do ar também estava "má" em Santo André, São Caetano do Sul e Mauá - neste último, o ozônio chegou a 207. No interior, o destaque negativo foi São José dos Campos, onde o índice do poluente foi de 204.

A alta concentração de ozônio contribui para o aumento dos problemas causados pelo ar seco - que ontem também registrou valores recordes no ano. O pico foi entre 14 e 16 horas: 13% de umidade relativa do ar, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O índice ficou apenas a um ponto porcentual do estado de emergência (12%), em que se recomenda a interrupção de atividades ao ar livre por causa de riscos à saúde. O nível considerado adequado é de 60%.

No organismo a baixa umidade e o alto índice de ozônio se refletem em sintomas como tosse seca, coceira na garganta, cansaço e ardor nos olhos. "Os dois fenômenos têm efeitos bem parecidos e podem agravar a situação de quem já tem algum problema respiratório", disse a gerente de qualidade do ar da Cetesb, Maria Helena Martins.

Secura. A queda na umidade do ar vem se acentuando desde sexta-feira, quando o índice foi de 23%. A sequência é bem maior do que em 2009, ano em que houve recorde histórico de secura (10%). Mas, naquele ano, apenas três dias ficaram com umidade abaixo de 30% - nunca em sequência como agora.

Desde 5 de agosto não chove em São Paulo. Até ontem, o volume de chuva foi de 0,6 mm - 1,5% da chuva prevista para agosto (39 mm). O ar seco também colocou em alerta cinco cidades do interior - José Bonifácio, Pradópolis, Rancharia, Valparaíso e Votuporanga. Meteorologistas preveem que o tempo deve continuar seco no Estado pelo menos até o início da semana que vem.

Para Maria Helena, da Cetesb, os altos índices de ozônio e a baixa umidade do ar têm origem no mesmo fenômeno climático. "Uma grande massa de ar seco, quente e estável está atuando sobre a cidade. Como não venta e não chove, os poluentes estão se dispersando pouco, e, paralelamente, a alta insolação acelera a produção do ozônio. No ano, este foi o pior dia", explica. Como o gás é formado principalmente pelos motores de veículos - em especial os mais pesados e movidos a diesel -, Maria Helena recomenda que os paulistanos evitem o uso de carros e utilizem transporte público ou carona.

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