Seca coloca em risco abastecimento na Copa

Cantareira voltou a cair e atingiu 17,7% de sua capacidade; situação pode piorar em junho e julho, meses sem chuva

Ricardo Brandt / Campinas, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2014 | 02h06

O Sistema Cantareira atingiu 17,7% de sua capacidade ontem nessa atípica seca de verão, aumentando os riscos de desabastecimento de água durante a Copa do Mundo, nos meses de junho e julho, meses com pouca chuva. Faltando dez dias para terminar o mês, choveu apenas 24% do que é esperado como média para fevereiro - época considerada de chuva, em que os reservatórios do sistema deveriam estar armazenando água para enfrentar a estiagem de inverno, a partir de abril.

O índice de ontem é o mais baixo apresentado desde o início de operação do sistema, em 1974. Dos 202,6 milímetros esperados de chuva acumulada para fevereiro, foram registrados 48,7 mm na área de influência do Cantareira, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Para recuperar as represas do sistema, que abastece 8,8 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, e 5,5 milhões no interior, é preciso que chova no Sul de Minas, na região de Bragança Paulista e em Vargem Grande - onde estão as nascentes dos rios e os reservatórios do sistema.

Alerta. Cálculos do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) estimam que precisaria chover 1 mil milímetros nos meses de fevereiro e março, para recuperar as perdas de novembro, dezembro e janeiro, e conseguir entrar no inverno com 50% da capacidade dos reservatórios.

"O consórcio alertava desde o começo de dezembro sobre os riscos de seca no verão e sobre a necessidade de se economizar água", afirma o coordenador de projetos do Consórcio do PCJ, José Cezar Saad. "Uma chuva como essa, nesse volume, dificilmente vai acontecer", afirma ele.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem garantido que não haverá desabastecimento e disse que está autorizado o uso da água do fundos dos reservatórios em uma emergência.

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