Sebrae terá capacitação para ex-ambulante

Órgão vai oferecer em 2011 treinamento aos ilegais removidos que querem entrar nomercado formal

, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

Comerciante há 67 anos, o presidente da Associação Comercial de São Paulo e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Alencar Burti, acredita que o camelô, por mais bem-sucedido que seja nas vendas, só consegue fazer seu negócio crescer quando entra para o mercado formal. Ele confessa, porém, ter visto vários amigos fazendo o caminho inverso. "Como o pequeno empresário que tem quatro ou cinco funcionários pode administrar a parte burocrática? Não tem como, ele acaba saindo para a informalidade. São muitos impostos."

"O desafio nesse momento de intervenção da PM nas ruas do centro é criar um ambiente propício para o camelô entrar na formalidade. E isso só se consolida com menos burocracia para as lojas e treinamento para quem saiu da rua", afirma Burti.

Ele diz que a capacitação profissional dos camelôs será prioridade do Sebrae em 2011. Burti não acredita que o vendedor sem licença acabe, mas elogia a iniciativa do prefeito Gilberto Kassab (DEM) na empreitada contra os ambulantes. "Kassab tem algum mérito por iniciar um processo corajoso para diminuir a influência do camelô em lugares tradicionais do comércio."

Benefício. Para o ambulante antigo que ficou na rua com autorização da Prefeitura, a sensação é de que a parceria da administração municipal com a Polícia Militar foi benéfica. "Não é que aumentaram as vendas. Mas diminuiu aquela guerra por espaço na calçada", diz Jamil de Souza, de 69 anos. "Já vi pisão em toalha de camelô terminar em morte aqui nos anos 1990. O clima era sempre muito tenso." Ele tem barraca de calças jeans na Rua 24 de Maio desde 1984.

A década de 1980 é considerada um marco da explosão de ambulantes ilegais na capital. Naquela época, as vendas eram impulsionadas pela febre dos produtos eletrônicos contrabandeados do Paraguai. Para piorar, o País enfrentava uma grave crise de desemprego. Isso criou um exército de 30 mil ambulantes, que se espalharam pelas ruas do Brás e no Vale do Anhangabaú.

Lojistas. Até agora, quem mais colheu benefícios diretos com a remoção dos camelôs foram os lojistas do Brás. O bairro tinha as calçadas loteadas por barracas que vendiam por metade do preço o produto oferecido nas lojas. "O cliente não conseguia nem ver o que estava exposto dentro da loja, a barraca ficava bem aqui na frente", lembra Ricardo Sampaio, de 42 anos, dono de uma loja de roupas na Rua Maria Marcolina.

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