''Sean nunca pergunta do Brasil'', diz pai

TV americana mostra imagens do menino, brincando com os amigos, 17 meses após deixar o País; Goldman ainda critica família no Rio

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2011 | 00h00

Sean Goldman nunca mais perguntou da família materna brasileira desde que retornou a New Jersey (EUA), em dezembro de 2009. A afirmação foi feita pelo pai, David Goldman, em entrevista ontem para a TV NBC. No programa de uma hora de duração foram exibidas as primeiras imagens do menino em mais de um ano.

"Ele nunca pergunta da família do Brasil", disse Goldman, que na semana passada lançou o livro A Father''s Love, pela prestigiada Penguin Books, em que conta a sua versão da disputa pela guarda de Sean. No entanto, admitiu que, algumas vezes, o garoto afirma sentir falta da mãe.

No programa, também foram exibidas entrevistas com a avó brasileira, Silvana Bianchi, e seus advogados no Brasil e nos Estados Unidos. Eles reclamaram que David Goldman não cumpriu acordo para que a família materna pudesse visitar Sean. "Gostaria de expressar a minha preocupação com a situação emocional dele", afirmou Silvana. A avó acrescentou ainda que o avô do menino teria morrido, recentemente, com o peso de não ter visto o neto pela última vez. Goldman reagiu às afirmações, dizendo que o avô não pôde visitar o neto por culpa da avó. Atualmente, ele só não permite as visitas "porque a família (brasileira) continua apelando na Justiça" e por temer que o menino seja sequestrado.

A NBC também mostrou e-mails trocados entre Sean e a avó no Natal, em um sinal de que David Goldman não teria cortado o contato entre os dois. Nas mensagens, o menino e a avó se desejam Feliz Natal e trocam fotos. Ao ser indagado pela repórter da NBC sobre como está Sean atualmente, o pai respondeu que "ele é apenas um menino bem ativo". David Goldman chorou ao longo da entrevista e disse que Sean é seu "companheiro especial". "Somos como pai e filho novamente." Nas cenas, Sean aparece falando sorridente com o pai e fazendo piadas.

A relação entre os dois havia ficado estremecida durante o período em que estiveram distantes. Sean, nascido em 2000 nos EUA, foi levado, quando tinha 4 anos, pela mãe, Bruna Bianchi, ao Brasil, onde ela se casou novamente, com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em 2008, ela morreu ao dar à luz a irmã do menino. O pai travou uma batalha internacional contra o padrasto e a avó, mãe de Bruna, para conseguir a guarda do filho.

No Natal de 2009, o americano conseguiu reaver Sean na Justiça brasileira. Segundo a editora Penguin Books, em seu livro "Goldman conta sua extraordinária batalha para levar o filho sequestrado para casa". "A família (brasileira) não gostará. Mas é a verdade", disse o pai na entrevista para a NBC.

Mãe. "Uma noite, com lágrimas, Sean me disse que sentia falta da mãe. E disse ter ficado feliz que eu nunca o abandonei", afirmou Goldman. O pai tem uma nova namorada, com dois filhos. Eles ficaram amigos de Sean e todos aparecem brincando juntos nas cenas exibidas pelo canal americano. Também há cenas do menino jogando basquete, beisebol, nadando, remando e andando de bicicleta, além de socorrer uma tartaruga na calçada. Seu inglês está fluente e suas notas na escola são altas, de acordo com a NBC.

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