Se você quer ter empregos perto de casa

Numa área de 10 km2 da zona sul, está o maior número de oportunidades de trabalho da capital

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

Não é à toa que as ruas do Itaim-Bibi vivem sempre cheias de homens engravatados e mulheres de terninho. Aquela área de 10 km² na zona sul concentra o maior número de oportunidades de trabalho da capital. No distrito, que compreende os bairros de Vila Olímpia, Itaim-Bibi, Brooklin Velho e Brooklin Novo, 54.873 empregados de 8.460 empresas circulam diariamente pelas grandes avenidas de prédios espelhados e pelas vielas laterais dos cafés e restaurantes, num ritmo bem mais acelerado do que em outras partes da cidade.

A razão de haver tantos executivos no Itaim é justamente o alto faturamento das companhias instaladas na região. "Grande parte das grandes empresas e multinacionais sediadas em São Paulo fica por ali, além do entorno da Paulista e da Chácara Santo Antônio", diz Fernando Marucci, diretor da Asap, empresa de recrutamento e seleção de executivos.

A primeira consequência se reflete no mercado imobiliário. Apesar de já ser uma área saturada, a cada dia mais prédios de escritórios são lançados na região. O Itaim-Bibi lidera os lançamentos do tipo desde 1985, com 54 novos empreendimentos daquele ano até 2009.

A segunda consequência é um crescimento na oferta de bares, restaurantes e outros serviços no distrito. Isso acontece porque a maioria dos executivos que trabalham ali é formada por jovens, tem dinheiro para consumir e prefere morar perto do trabalho - o que contribui para diversificar ainda mais a economia local.

O perfil desses executivos varia bastante, mas a maior parte é composta por jovens de idades entre 28 e 35 anos, que ganham entre R$ 7 mil e R$ 12 mil mensais e trabalham de 9 a 12 horas por dia.

"A rotina varia de empresa para empresa, mas, normalmente, trabalha-se muito, principalmente no início de carreira, quando o profissional tem de mostrar mais trabalho", explica Marucci.

Na maioria das companhias, é o próprio executivo que dita seu ritmo de trabalho - e decide, por exemplo, se será possível almoçar com mais calma na Rua Amauri ou se dá para descer por dez minutos para fumar um cigarro na entrada do prédio. "O importante é que ele faça o serviço, mesmo que tenha de trabalhar no fim de semana para compensar, o que é bem comum", diz o diretor.

Mudança. O perfil do Itaim-Bibi mudou drasticamente de três décadas para cá. Até os anos 1970, era uma espécie de região-dormitório, onde moravam trabalhadores simples de empresas do centro da cidade e fábricas de Lapa, Mooca e outros bairros operários.

"Os grandes prédios de negócios só começaram a ser construídos aqui quando inauguraram a Avenida Juscelino Kubitschek, em 1976", lembra Helcias Bernardo de Pádua, presidente da Associação Grupo Memórias do Itaim.

Com a falta de espaço para novos prédios de escritórios na Avenida Paulista, a região começou a chamar a atenção dos construtores: ainda era cheia de terrenos vagos. Os primeiros empreendimentos imobiliários foram erguidos ali no início dos anos 1980. Desde então, o Itaim-Bibi não parou - cresceu e cresceu, até se tornar hoje o distrito empresarial mais vibrante da capital.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.