Polícia Militar
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'Se tivesse custado R$ 1 mil, ia desembolsar', diz PM que pagou para salvar cadela baleada

O soldado da PM Henrique Ribeiro é um dos envolvidos no resgate de Pintada, baleada por um caminhoneiro na zona norte de SP

Juliana Diogenes, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 18h06

SÃO PAULO - Na semana em que um cachorro foi envenenado e morto em caso de grande repercussão em Osasco, na Grande São Paulo, outro cão sofreu maus tratos. Mas foi salvo a tempo. No caso, foi salva: trata-se de Pintada, uma cadela de dois anos, baleada no ombro por um caminhoneiro na quarta-feira, 5, no Terminal de Cargas, no Parque Novo Mundo, zona norte da capital. Socorrida por dois policiais militares, que tiraram dinheiro do próprio bolso para pagar o atendimento em clínica veterinária particular, ela sobreviveu.

"Tinha um animal feriado e tínhamos que resolver. Sem medir esforços e custos, assumimos a responsabilidade. Deu R$ 110, mas se tivesse dado R$ 1 mil (a consulta e a cirurgia) com certeza os policiais iam desembolsar essa quantia", quem afirma sem titubear é o soldado da Polícia Militar Henrique Ribeiro, de 34 anos, um dos envolvidos no resgate de Pintada.

Às 23 horas de quarta, um caminhoneiro atirou na cadela após supostamente ter sido mordido na perna por ela. Essa foi a justificativa dada a Ribeiro e ao colega de trabalho naquele momento, o soldado Renato Zanin, de 31 anos. 

Zanin e Ribeiro foram procurados por um funcionário do estacionamento do Terminal de Cargas, que testemunhou o disparo contra o animal. Eles receberam reforços policiais e foram até o caminhoneiro acusado que, a princípio, negou e disse desconhecer uso de armamento. Acabou admitindo, porém, que atirou em Pintada, e informou que a arma estava em outro caminhão.

Entre o chamado e o encaminhamento do caminhoneiro ao 73º Distrito Policial (Jaçanã), foram aproximadamente 40 minutos. Nesse meio tempo, a cadela, ferida, foi assistida por funcionários, que cuidavam e davam água.

Ribeiro, Zanin e os policiais chamados posteriormente - ao todo, 10 - buscaram hospitais municipais, gratuitos, abertos àquela hora, mas não havia. A decisão precisava ser tomada rapidamente, então eles se uniram, juntaram R$ 110 e levaram Pintada na viatura para uma clínica particular. "Todo mundo gosta e provavelmente tem um animal de estimação. É comovente para as pessoas a atitude de alguém que salva um animal. Independentemente de ser a polícia ou não, quando a pessoa salva algum animal que é indefeso e não estava fazendo mal a ninguém, comove todo mundo", afirma Zanin.

Segundo a diretora clínica Fernanda Pereira, do Hospital VetPopular, o quadro é estável e a cadela permanecerá 72 horas em observação. "Não houve perfuração de órgão. O projétil entrou e saiu. Ela está respirando com auxílio de oxigênio, mas só de suporte. Está acordada, fica de pé e aceita alimentação. Vamos ver como ela evolui", diz.

Em menos de 24 horas, a clínica veterinária recebeu ligações, mensagens e e-mails de pessoas interessadas em adotar Pintada. Na lista de possíveis donos, somam-se pelo menos 20, incluindo os funcionários e familiares de funcionários do próprio hospital. 

Os dois PMs e os funcionários da VetPopular foram homenageados ontem no 5º Batalhão da Polícia Militar, área da ocorrência. Na próxima segunda-feira, 10, Zanin e Ribeiro também receberão homenagem na Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes. "É uma sensação de dever cumprido. A gente não faz para aparecer, mas quando tem repercussão na mídia as pessoas acabam avaliando um pouco mais o seu trabalho", diz Ribeiro. 

A comandante do 5º Batalhão, Ana Cláudia de Paula, cumprimentou ontem os dois policiais, parabenizando pelo trabalho. Ela disse que a atitude é fruto do treinamento e do ensinamento. "O que me deixa muito feliz é ver que qualquer pessoa, animal ou ser vivo que precise da força da polícia, ele terá. É gratificante e emociona. Quem trata o animal com decência, você imagina como trata o ser humano", afirma. 

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