Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Se só restasse este desfile no Rio, seria da Mocidade?

Paulo Barros estreia na supercampeã dos anos 90 com título como meta e catapultado pelos milhões do herdeiro de Castor de Andrade

ROBERTA PENNAFORT, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2015 | 02h01

RIO - Os desfiles das escolas de samba da elite do carnaval carioca começam neste domingo, 15, com grande expectativa: carnavalesco-sensação há uma década, Paulo Barros estreia na Mocidade Independente de Padre Miguel, que sonha de novo com o pódio da festa, depois de 18 anos na condição de coadjuvante.

O enredo, nascido da música O Último Dia (Meu amor/o que você faria/se só te restasse esse dia?), de Paulinho Moska e Billy Brandão, é apocalíptico. Mas o que a Mocidade busca é entrar em um novo tempo, recuperando o protagonismo dos anos 90 - foi campeã em 1990, 1991 e 1996 e vice em 1992 e 1997.

Vencedor três vezes pela Unidos da Tijuca, em 2010, 2012 e 2014, Barros não é o único trunfo da escola, a terceira a desfilar neste domingo. Tampouco a cantora de axé Claudia Leitte, a rainha de bateria que mais atraiu as atenções neste ano. As colocações ruins da escola nos últimos carnavais, com um quase rebaixamento em três ocasiões, envolveram a falta de dinheiro e de organização.

O cenário mudou no ano passado, com o retorno do contraventor Rogério de Andrade. Ele é sobrinho do lendário bicheiro Castor de Andrade, ex-presidente de honra da escola, cuja morte, em 1997, contribuiu para o declínio.

Em meio a processos por formação de quadrilha, corrupção ativa, contrabando, lavagem de dinheiro e uso de moeda falsa, e a suspeitas de participação em assassinatos, Rogério de Andrade injetou recursos que permitiram que a escola preparasse um carnaval de R$ 10 milhões. Paulo Barros desconversa quando o assunto é a saída da Unidos da Tijuca para a Mocidade a peso de ouro (correu a informação de que a transferência rendeu R$ 2,5 milhões). Sobre as cobranças na nova casa, o carnavalesco tem repetido que "a Mocidade tem perfil de campeã" e sairá de sua "temporada no limbo".

Valores. O patamar de R$ 10 milhões é considerado o mínimo para que uma escola do Grupo Especial entre na Sapucaí para disputar o título, afirmam dirigentes e carnavalescos ouvidos pelo Estado. Na Mangueira, a opção para baratear o desfile foi enxugá-lo: a agremiação, que já teve 5 mil componentes, desfilará com algo entre 3,7 mil e 4 mil.

"É a solução. A gente tinha enredos que poderiam gerar dinheiro, mas optamos por um com o DNA mangueirense, para extrair mais emoção", disse o diretor de carnaval, Junior Schall, ao explicar a homenagem à mulher brasileira e, em especial, a ícones femininos da escola, como as cantoras Alcione, Beth Carvalho e Leci Brandão.

A noite deste domingo tem mais duas gigantes do carnaval, Salgueiro e Vila Isabel, e será fechada por uma escola emergente que costuma entrar na briga pelas primeiras colocações: a Grande Rio. Quem abre o espetáculo é a Viradouro. Vinda de quatro anos no Grupo de Acesso, no qual a exigência é inferior e os gastos, bem mais modestos - com R$ 2 milhões, estima-se, dá para fazer bonito -, a escola teve de superar dificuldades financeiras para reunir R$ 8 milhões neste carnaval, que celebra a negritude por meio da obra do compositor Luiz Carlos da Vila (1949-2008).

O esforço da escola de Niterói não será visto em tempo real por quem acompanhar os desfiles pela TV. Apesar da mudança no início dos desfiles das 21 horas para as 21h30, a transmissão da passagem da Viradouro e da São Clemente (a primeira de amanhã) será feita só após o fim das outras cinco escolas, quase 6 horas. A Globo preferiu alterar o mínimo possível sua grade - no domingo, encurtará as edições do Fantástico e do Big Brother Brasil; na segunda, diminuirá BBB e cancelará Tela Quente.

Sem campeãs. "É um contrato que a Globo tem com a Liga das Escolas de Samba; temos de acatar. Fico chateado como torcedor", lamentou o diretor de carnaval da Viradouro, Wilson Policarpo. O desfile das campeãs, no sábado que vem, nem sequer será televisionado. A Globo, que detém os direitos de exibição, não o faz desde 2010. Mas de lá para cá outras emissoras se interessaram e negociaram a exibição. Neste ano, isso não aconteceu.

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