Sé quer tirar sem-teto das escadarias

Direção da catedral reclama que moradores de rua estavam cobrando pedágio de turistas; Guarda Civil Metropolitana instalou base ao lado da igreja

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

A administração da Sé não quer mais que moradores de rua passem o dia nas escadarias da catedral. O argumento é que, além de ser um dos cartões postais da cidade, a igreja recebe em média 800 turistas por dia. E tanto esses visitantes quanto os frequentadores das missas e outras cerimônias devem ter liberdade de subir e descer os degraus sem ser abordados por pedintes.

Segundo o cônego Walter Caldeira, cura que administra o dia a dia da catedral, a ajuda de guardas-civis metropolitanos tem sido fundamental para manter os moradores de rua longe das escadarias. Uma base móvel da GCM tem ficado 24 horas estacionada ao lado da catedral. E, ao avistarem algum sem-teto, guardas municipais indicam os serviços públicos a serem procurados, como as tendas e restaurantes de R$ 1, além de orientá-los a se sentarem nos bancos. "É preciso que haja respeito. Lugar de sentar é no banco. Degrau serve para passagem", explica Caldeira, que há cerca de um ano saiu da Paróquia Cristo Rei, no Tatuapé, para ir para a Sé. "Não queremos os pobres longe. Queremos os pobres dignamente cuidados, tratados, não jogados nos cantos, urinados, defecados, sujos."

Ele lembra que, antes de começar a enfrentar o problema, cerca de cem sem-teto passavam diariamente pelos degraus da Sé. Hoje, só ocasionalmente é possível encontrar alguém pedindo esmolas no local. "E não eram só pobres, mas viciados pedintes. Era incômodo porque eles cobravam pedágios para o turista, para qualquer senhora que quisesse entrar. Agora as pessoas entram livremente, sem dar dinheiro, e se sentem livres para poder visitar a igreja."

Ontem, Ricardo da Silva Costa, de 31 anos, tentava, discretamente, pedir esmola na escadaria da Sé. Na rua há 17 anos, ele reclama da proibição e diz que muitas vezes é "esculachado" pelos guardas-civis e pelos seguranças da catedral. Para ele, pedir esmola na igreja é melhor "por ser um ambiente de paz". "Ninguém é obrigado a dar. Quem dá esmola dá com o coração. E é melhor pedir do que roubar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.