José Patrício/AE
José Patrício/AE

'Se o problema é de família, tem de resolver'

Mãe, avó, tia e tio tiveram câncer de mama antes de Adriana. Após operação ela descobriu mutação que atinge também irmãs

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2013 | 02h00

Depoimento de Adriana Eliza de Souza, 40 anos, bancária:

 

"Era 2008. Eu tinha 35 anos quando fui fazer uma mamografia de rotina e recebi o diagnóstico de câncer em uma mama. Fui para o A.C. Camargo porque minha mãe tinha se tratado lá. Ela também tinha tido câncer em uma mama aos 40 e depois na outra aos 45. Minha avó teve aos 53, minha tia aos 37, uma prima aos 42. Todas dos lado da minha mãe. Um tio da minha mãe também morreu de câncer de mama. Era um histórico muito forte.

E quando abrimos para ver como estava, os médicos descobriram que o caso era mais sério do que imaginavam. Ao acordar, não tive dúvida, pedi para tirarem uma mama e a outra também, por precaução. Eu não tinha filhos, mas a maternidade não era uma prioridade para mim, preferi resolver logo o problema.

Só depois fiz o teste genético. O hospital ainda tinha o material genético da minha mãe e coletamos também o da minha tia. Foi possível comparar o sequenciamento e descobrimos que todas tínhamos uma mutação no BRCA2.

Tenho mais três irmãs, elas foram testadas e em duas também foi encontrada a mutação. Uma já tem um filho, a outra resolveu engravidar mais cedo e ambas vão fazer a mastectomia de redução de risco.

Depois, eu ainda tirei útero, ovários e trompas. Só pensava que eu queria me livrar, não queria mais pensar naquilo. Assim voltei as ter os mesmos níveis de risco de qualquer outra pessoa sem a mutação.

Hoje vivo muito feliz com minha decisão. Não tenho problemas de estética - é só uma cicatriz - nem com a minha sexualidade. Vejo de modo prático as intervenções. Se está no histórico da família, é um problema que tem de resolver. Temos de dar valor à solução."

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