Gabriela Biló
Gabriela Biló

‘Se não for para ir montado, não vá’, dizem foliões dos blocos paulistanos

Com muita criatividade, eles não se satisfazem em usar roupas leves ou comprar fantasia pronta

Juliana Diógenes e Marcela Paes, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 03h00

Para um folião que leva a sério a brincadeira nas ruas paulistanas, quanto mais original, customizado e personalizado o figurino, melhor. Inspirados na criatividade de carnavais tradicionais, como os do Recife e do Rio, eles não se satisfazem em usar roupas leves ou comprar fantasia pronta. 

“Se não for para ir montado, não vá.” É com esse espírito que os amigos Vitoria Regia Nunes, de 35 anos, Debora Brandt, de 34, Guilherme Carnaúba, de 25, Barbara Chiré, de 35, e Pâmela Franco, de 24, saem para a maratona de blocos a que costumam ir durante o carnaval paulistano. 

“O conceito da última fantasia que eu usei foi ‘amor breve’. Nunca é nada literal nem algo muito certinho como ‘Vou de Chapolim Colorado’”, diz Vitória. Os looks costumam ser feitos por eles, mas broches antigos, peças vintage e até coisas alugadas em brechós entram nas produções. Só não vale repetir fantasia. E vale tudo? Quase tudo. As plumas, por exemplo, já começaram a perder adeptos, pelo menos entre os mais ecológicos. “Dá para usar uma folha de samambaia artificial, por exemplo, e ter o mesmo efeito chamativo”, explica.

Depois de ir ao carnaval no Recife e no Rio e voltar encantada com as produções, a arquiteta Gabriela Amaral, de 28 anos, decidiu no ano passado que começaria a produzir as próprias fantasias. Até aprendeu a bordar. “Estou buscando minha identidade. Pesquisei referências de moda de alta costura, do exterior”, conta. 

Em um dos dias de folia, Gabriela colocará na rua a roupa de um polvo batizado de Octopussy, em referência à presença feminina em uma banda de bloco de carnaval, onde tocará trompete. No feriado, cada dia terá uma fantasia diferente. Mas já no pré-carnaval a arquiteta exibiu a criatividade: se vestiu de rainha do mar, boi-bumbá e pavão misterioso. 

“Não tem mais graça pegar um personagem e reproduzir exatamente como é. Gosto de ir reinventando”, explica ela. “Quanto mais desconstruído, mais legal.” Ela própria monta os looks: faz um desenho rápido, elabora uma lista e vai às compras na Rua 25 de março.

Para Gabriela, uma das dicas mais importantes na hora de pensar um figurino autoral de carnaval é a escolha da cor das adereços. “Precisa buscar cores contrastantes para chamar a atenção”, diz.

Tutu e body. Quem tem pouco tempo para planejar e comprar os itens, mas quer usar figurinos personalizados, pode seguir a ideia do aeroviário Fernando Magrin, de 52 anos. Para cada dia do carnaval, comprou tutus de quatro cores: rosa, azul, verde e arco-íris. Depois que usou uma saia emprestada da amiga pela primeira vez, Magrin nunca mais pensa em usar bermuda na folia. “Amei pular carnaval de saia. E tutu é o que mais gosto porque vira uma fantasia. É fácil de achar, simples de usar e funciona”, afirma ele, um dos fundadores do bloco Minhoqueens, onde desfila de drag queen. 

Na parte de cima do look, vai de camisetas com frases divertidas compradas em lojas simples, que depois são customizadas. “Vou amarrar alguma fita ou deixar algo caindo. Geralmente no dia mesmo eu invento.”

Já para o produtor cultural Raphael Malachias, de 29 anos, a peça curinga do look de carnaval é o body. “A partir do maiô que escolho, vou trabalhando em cima”, conta ele, um dos fundadores do bloco Meu Santo é Pop. A variedade está na cor dos maiôs – que comprou em preto, branco e prata – e na personalização. “Vou comprando pingente e badulaques na Rua 25 de Março e customizando com cola quente e alfinete.” 

Uma das principais fantasias que Malachias está produzindo reproduz o figurino da atriz e cantora mexicana Thalía. “Acho divertido quando alguém reconhece de onde tirei a referência. Sempre tem uma pessoa que sabe o que é.”

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