'Se não corresse, o PM teria me batido mais'

No Pinheirinho para ajudar a ex-mulher que ainda morava na ocupação, o servente de pedreiro Claudio Anésio Martins, de 48 anos, ganhou notoriedade após ser agredido por policiais militares no último domingo, durante a reintegração de posse do terreno. A ação violenta dos PMs contra o homem, que não esboçou reação, foi filmada e divulgada na internet. Ele disse que os policiais pensaram que ele tinha atirado uma pedra, o que Martins nega. O servente agora espera que os PMs sejam punidos.

O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h03

O que o senhor estava fazendo no momento da agressão?

Eu estava saindo da tenda, quando vinham descendo uns quatro, cinco policiais. Eles perguntaram por que eu estava jogando pedra neles. Falei 'eu não, filho'. Como, rapaz, se eu estava acabando de sair da tenda para ir até a rua? Daí um já veio me agredindo.

Como foi a agressão?

O que estava mais à frente tirou o cassetete e veio para cima de mim. A primeira pancada bateu no meu braço. Ergui o braço, e ele bateu na minha costela. Na hora em que ele daria outra pancada, coloquei a bolsa na minha frente. Os outros não fizeram nada, mas deram cobertura para o amigo deles.

O senhor guardou os nomes dos policiais?

Não. O pessoal do Pinheirinho não estava por perto, então eles não poderiam me ajudar se eu precisasse ficar mais ali para anotar o nome. Vi que o único jeito de me defender era correndo para a tenda. Levantei rapidinho a lona e fiquei ali. Se não corresse, talvez ele tivesse me batido mais. Daí, o resto poderia vir para cima de mim, como eles fizeram com um sindicalista. Eles são covardes, viu.

O senhor procurou socorro?

Não, porque foi só a pancada. Inchou um pouco. A minha ex-mulher passou um remédio em mim. Fiquei uns três dias com dor. Ontem, tomei um antibiótico e hoje outro.

O senhor morava no Pinheirinho?

Morei por três anos lá com a minha ex-mulher, mas estava dando um apoio para ela. Agora, eu moro em Jacareí.

O que o senhor acha de uma ação como essa?

Nasci em São José dos Campos e nunca tinha sofrido uma revista de um policial. Nunca apanhei. Foi a primeira vez. Com a idade que estou, não preciso fazer baderna, não. Meus irmãos e minha mãe viram, e perguntaram o que eu estava fazendo ali.

O senhor terá medo da polícia daqui em diante?

Não tenho medo. Também não tenho medo de morrer. Só acho que eles fizeram o errado. Poderiam ter chegado para conversar comigo.

Se for chamado para reconhecer o responsável pela agressão, o senhor vai?

Vou. Podem punir o culpado. Espero que eles tenham consciência do que fizeram.

O que espera que o governo faça com o senhor depois do que aconteceu?

O governo não vai fazer nada. Eles (governo e polícia) estão de mãos dadas.

Como o senhor acha que as pessoas de fora veem a gente do Pinheirinho?

Têm muito preconceito. Morava gente boa. Gente ruim todo lugar tem. Todo mundo está em busca de moradia. / W.C.

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