'Se me arrastassem na rua não se compararia à dor que eu sinto'

Foi assim que pai descreveu ontem a dor de perder filho em acidente com jet ski pilotado por ele domingo na Billings

O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h06

"Se me amarrassem a um carro hoje e me arrastassem pela rua não se compararia com a dor que eu sinto." Foi assim que Antonio Edvan Moreira de Carvalho, de 40 anos, descreveu ao Jornal Hoje, da TV Globo, o sentimento pela perda do filho, Mitchill Guilherme Pereira de Carvalho, de 9 anos.

Carvalho foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) pela morte do garoto. No domingo, ele usou um jet ski para puxar Mitchill e um sobrinho, ambos em uma boia, pela Represa Billings, em Ribeirão Pires, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele não tinha a habilitação necessária para pilotar o veículo.

Quando passava por baixo de uma ponte da Rodovia Índio Tibiriçá, perdeu o controle, e a boia na qual estava o filho bateu em uma pilastra. A criança foi socorrida. "O coração dele batia, mas ele não resistiu."

Segundo Carvalho, o filho insistiu para que ele o puxasse pelo jet ski. "Eu não queria fazer aquilo, não queria puxá-lo, mas ele insistiu, insistiu. Às vezes, você vai fazer o gosto do filho e você acaba fazendo uma besteira sem saber", disse.

O pai relatou também que queria ter a oportunidade de voltar atrás ou evitar o sofrimento pelo qual está passando. "Se pudesse retroceder no tempo, ou ainda que pudesse avançar, eu avançaria para passar essa fase."

Carvalho afirmou que não sabia da necessidade de habilitação para conduzir o jet ski em represas. "Se eu falar que eu sabia que tinha de usar em represa, essas coisas assim, eu estou mentindo."

O pai se recorda com tristeza do momento em que aconteceu o acidente. "Olhando para trás, vendo o sorriso dele o tempo todo, e o sorriso se apagar naquela pilastra."

Carvalho, a mulher e o advogado da família foram procurados ontem pelo Estado, mas não quiseram se manifestar. Eles estão na casa de parentes em Praia Grande, no litoral.

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