'Se mais médicos precisarem, vamos fazer um mutirão'

A Associação Médica Brasileira (AMB) estava em contato com Ramona Rodríguez antes de ela abandonar o Mais Médicos? Como surgiu a ideia de contratá-la?

Entrevista com

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2014 | 02h03

Até surgir essa coisa, dois dias atrás, não a conhecíamos. Mas sempre condenamos a maneira como o governo federal estava fazendo o programa, sem avaliar conhecimento, sem saber quem eram essas pessoas e, pior ainda, pela relação com os médicos cubanos. Não temos nada contra eles nem contra médico de nenhum outro lugar, mas não concordamos com esse esquema de escravidão. O relato da dra. Ramona só comprovou isso. Não podemos permitir que um médico trabalhe por US$ 400. Isso não é legal do ponto de vista trabalhista e não podemos admitir. Ela está pedindo refúgio, certamente está com dificuldades financeiras.

Qual cargo vocês vão oferecer a ela? Estávamos precisando há cerca de 3 meses de alguém para ficar no escritório de Brasília. É uma função administrativa, gerencial. Um emprego que permita que ela viva aqui. E, se desejar permanecer no Brasil e trabalhar como médica, vamos ajudar para que ela faça o Revalida. Se sentir dificuldade, vamos ajudar na sua capacitação. Não podemos deixar um médico desamparado.

Quanto vocês vão pagar? Darão também ajuda para moradia e alimentação, como o programa federal?

Vamos pagar salário de mercado, certamente mais do que os R$ 1 mil que ela recebia pelo Mais Médicos. Será o suficiente para viver em Brasília. Até que ela faça, se desejar, o Revalida e possa exercer a medicina recebendo salário digno.

Vocês sempre criticaram que, sem o Revalida, não havia como saber a qualidade desses médicos. Como saber se ela é adequada para as funções de gerência?

Vamos entender que essa não é uma contratação de perfil técnico, ela terá de ser treinada para o cargo. Mas nosso foco é dar tratamento humanitário. Nesse momento, há uma médica com dificuldades que não tem como sobreviver.

O que vocês vão fazer se outros médicos cubanos resolverem seguir o exemplo de Ramona. Vão acolher todos?

Aí vamos fazer um mutirão e ajudar. Mas acreditamos que isso não será necessário. Que as instituições de direito resolverão esse problema de modo que haja tratamento igual para todos os médicos estrangeiros.

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