MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

‘Se chegar mais um grupo de angolanas, não terei onde pôr’

Secretária municipal de Assistência Social pediu a ajuda do governo federal no fim do mês passado para tentar entender fluxo

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 05h00

SÃO PAULO - A secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, pediu a ajuda do governo federal no fim do mês passado para tentar entender o fluxo migratório de angolanas. “Se chegar mais um grupo de 50 mulheres, não terei onde pôr.”

Segundo Luciana, o diagnóstico do Ministério da Justiça vai permitir a identificação da verdadeira “dimensão do problema” para preparar a rede municipal. Para a secretária, embora a maioria das africanas declare perseguição religiosa, não estão claras as motivações, o que impede, por exemplo, a aplicação de estratégias próprias para acolhimento e assistência social, além de capacitação e encaminhamento para o mercado de trabalho. “É uma lógica diferente dos haitianos porque eles, claramente, chegavam para começar a trabalhar. Essas mulheres que chegam com os filhos não têm perspectiva de sair da rede imediatamente. E as que chegam grávidas? Não é a lógica de preparar para o mercado de trabalho.”

Luanda. Segundo Felipe de Paula, secretário municipal de Direitos Humanos, a gestão detectou um aumento de angolanas na rede municipal que é “aparentemente circunstancial”, embora ainda não seja possível conhecer as razões do fluxo. O perfil levantado é de que são mulheres e a maioria vem da capital, Luanda, e da região metropolitana. “Algumas são instruídas, outras não. Muitas alegam perseguição religiosa ou política e, portanto, pedem status de refugiado. Muitas, na verdade, têm o visto de turista, que dura 90 dias. Mas não são todas que chegam com visto.” 

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