Se a pista estivesse seca avião teria subido, diz especialista

Para o major-brigadeiro Renato Claudio Costa Pereira, ex-secretário-geral da ICAO e ex-presidente da Comissão Latino-americana de Aviação Civil, o piloto do Airbus 320 da TAM "aparentemente resolveu arremeter o avião antes de tocar no solo". Leia também:- Avião da Gol comunicou pista escorregadia no dia do acidente "Até tocar no chão o avião vinha diminuindo a velocidade, e quando tocou, começou a acelerar. Ele (piloto) decidiu voar outra vez antes de tocar no chão", afirmou após analisar a gravação do pouso feito pelas câmeras do Aeroporto de Congonhas.  O técnico, que participou da criação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), acredita que a decisão de arremeter foi tomada quando o piloto conseguiu sentir as reações do avião na pista. "Infelizmente, com a pista molhada e o peso e balanceamento da aeronave um pouco fora o avião ficou descontrolado. Se a pista estivesse seca, em condições normais, ele teria subido." Outras hipóteses levantadas por pilotos e especialistas: CHUVA E AQUAPLANAGEMA falta de ‘grooving’ - as ranhuras responsáveis pelo escoamento da água de chuva, para evitar que ela fique empoçada na pista - pode ter causado o acúmulo de uma lâmina de água superior à aceitável, colocando em risco a segurança do pouso. A água teria impedido o correto funcionamento do sistema antiderrapagem do A320, fazendo com que a aeronave atravessasse a pista e atingisse carros e o edifício da TAM Express. A Infraero confirma que o grooving não foi feito na pista, depois da reforma que recuperou o pavimento, concluída no dia 29 de junho, porque não houve tempo suficiente para a cura do asfalto. A cura é necessária para que a obra de grooving seja feita. Apenas a pista auxiliar, reformada anteriormente, teve os sulcos feitos no asfalto. FALHA HUMANA O piloto do A320 teria, segundo testemunhas, realizado uma aterrissagem incorreta e tocado a pista em um ponto mais à frente do normal para um pouso seguro ou acima da velocidade normal de pouso. Ao perceber a falha, teria tentado realizar uma arremetida - procedimento que, na aviação, constitui na aplicação de potência no motor, seguida de nova decolagem. OA320 não teria conseguido realizar esse procedimento, seja por falta de espaço da pista ou por falta de força. Segundo testemunhas, o A320 pode ter subido a uma altura de poucos metros (de 10m a 15m), e batido de frente com o edifício, do outro lado da Avenida Washington Luiz. Nessa situação, a água da chuva também pode ter contribuído para o deslizamento do avião. Testemunhas também relatam que o A320 fez um barulho incomum, quando estava pousando. Controladores de vôo, no entanto, relatam que o pouso foi normal. FALHA MECÂNICAO A320 já teria pousado em Congonhas com uma falha em seu sistema hidráulico, o que teria levado ao não funcionamento do sistema antiderrapagem dos freios. Por conta disso, o piloto não teria conseguido parar antes do final da pista, ultrapassando o limite de Congonhas diretamente para a Avenida. Nessa hipótese, também é provável que o piloto tenha tentado alguma espécie de arremetida. Essa hipótese, no entanto, é considerada pouco provável por especialistas. Também há a informação de que um dos reversos - dispositivos existentes nas turbinas que ajudam a desaceleração do avião - teria falhado, provocando a saída do A320 do eixo da pista. Essa hipótese foi levantada por pilotos da TAM e da Gol, que ontem estavam hospedados em hotéis próximos do Aeroporto de Congonhas. (Colaborou Daniel Gonzales, do Jornal da Tarde)

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