SBPC quer aval da Câmara para teste com bicho

Presidente do órgão diz que cientistas foram ameaçados por ativistas dos direitos dos animais

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2013 | 02h14

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, pretende apelar ao Congresso para garantir os testes em animais no País. Depois das duas invasões ao Instituto Royal, em São Roque, no mês passado, para a libertação de cães e roedores usados em pesquisas, cientistas foram ameaçados por ativistas dos direitos dos animais, segundo Helena.

"Estou muito preocupada, pois o Congresso está colocando para votação em regime de urgência uma lei que vai contra todos os avanços que conseguimos. Uma lei que é modelo mundial está sendo rasgada. É um grave momento pelo qual a pesquisa brasileira na área de saúde e biologia está passando", disse ontem, durante o Seminário Brasil Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade.

A professora da Universidade Federal de São Paulo, que é biomédica, se referia à legislação pioneira que instituiu o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal e regulamentou o uso científico de animais no Brasil. No Congresso, tramita o Projeto de Lei 2833/11, que criminaliza condutas contra cães e gatos, prevendo penas de até 5 anos para quem matar esses animais.

Helena, que vai propor uma audiência pública no Congresso sobre o tema, lembrou que "nenhum país do mundo" proíbe a pesquisa com animais e diz que a produção de vacinas, que atende não só o País, mas também a África, ficaria prejudicada sem os testes. "Eu trabalho com pesquisa de drogas anticancerígenas e para o combate de trombose. Não tenho como experimentar em humanos. Como isso vai ser feito?"

O seminário antecede o Fórum Mundial de Ciência, mais importante reunião de cientistas do mundo, que será no Rio, na semana que vem. São esperados mais de 600 participantes de 120 países. O tema do encontro é "Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global".

Ontem, o diretor da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, anunciou os termos da Declaração da América Latina e Caribe. Os cientistas ressaltam os progressos das últimas décadas, como a melhora econômica e a redução da pobreza, e apontam a necessidade de planejar estratégias para o desenvolvimento sustentável.

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