Saúde passa a pesar mais no orçamento

De 2003 a 2009, as famílias brasileiras reduziram a participação da educação em seu gasto total e passaram a usar mais os planos de saúde. Segundo indicadores da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), os custos relacionados à educação responderam por 2,5% das despesas familiares, menos do que os 4,6% dos gastos aplicados no pagamento de impostos. Em 2003, a educação respondia por 3,3% da despesa de consumo - queda de 24,2%.

RIO, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 03h05

Segundo Edilson Nascimento da Silva, gerente da POF, a queda da participação da educação nos gastos das famílias pode estar relacionada à maior disponibilidade de vagas nas universidades públicas e à redução do tamanho das famílias. Quanto maior o número de filhos, maior o gasto. "As despesas com educação subiram, mas a participação no total de despesas caiu", explicou Renato Meirelles, diretor do instituto de pesquisas de mercado Data Popular, que concorda com a análise do IBGE sobre a oferta de vagas no ensino público.

Para o especialista, o aumento do emprego formal é a grande "porta de entrada" para as mudanças na composição de gastos com educação e saúde. "Com mais emprego formal, é maior o acesso ao plano de saúde oferecido pelo empregador."

Remédios. De 2003 a 2009, as famílias passaram a alocar fatia maior para a compra de remédios e a mensalidade do plano de saúde, em detrimento de consultas, cirurgias e hospitalização. O economista Mauro Rochlin, professor do Ibmec/RJ, lembrou que, com o envelhecimento da população, a tendência é aumento de gastos com remédios. /V.N.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.