Saúde cancela licitação para clínica de viciado

A Prefeitura cancelou ontem a licitação para trocar a gestão do Serviço de Atenção Integral ao Dependente (Said), clínica para viciados químicos que funciona em Heliópolis, na zona sul. A decisão ocorreu após o Estado revelar que edital do pregão, posto em consulta pública na terça-feira, previa pagamento à empresa vencedora de R$ 19,1 milhões por ano, acima dos R$ 18,8 milhões recebidos pelo gestor atual, a Organização Social Sociedade Hospital Samaritano. A capacidade do Said, porém, continuaria a mesma: 80 leitos.

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2013 | 02h01

Também ontem o Ministério Público Estadual (MPE) decidiu investigar a licitação (leia abaixo). O secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini (PT), disse que um novo edital deve ser lançado em 15 dias. "A Autarquia Hospitalar Municipal (AHM) abriu licitação no automático e esqueceu de uma série de questões. Vamos estudar e fazer direito, houve uma precipitação", disse Puccini. "Queremos discutir o plano de trabalho com o Ministério da Saúde, ampliar o serviço e ter acesso a financiamento."

Puccini ainda citou a repetição do plano de trabalho antigo e a previsão de custo, considerado impraticável. "Mesmo que esse valor fosse justo, o poder público não teria perna para sustentar uma ampliação de leitos necessária na área. Morreríamos na praia. Com esse valor, é impossível praticar uma política abrangente."

O Samaritano, que desistiu da gestão do Said, vai prestar o atendimento pelo menos até março. Segundo Puccini, a situação é "emergencial": há 54 pacientes na clínica, entre crianças, jovens e adultos, alguns com determinação da Justiça.

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