Saturada, Vila Olímpia tem 21 prédios em construção e 50 lançamentos

Casas, pequenos comércios e até um colégio dão lugar a megaempreendimentos; oferta de escritórios de alto padrão duplicará até 2013

Valéria França, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2010 | 00h00

Quem passa pela Vila Olímpia tem a impressão de que esse bairro da zona sul de São Paulo está sendo reconstruído e, em parte, está mesmo. Há 21 empreendimentos com obras em andamento em apenas seis ruas. E o mercado, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, espera na região 50 lançamentos só de prédios comerciais.

Até 2013, serão entregues mais 220 mil metros quadrados - um terço a mais na área de escritórios já existentes. Isso sem contar o Shopping JK, que deve ficar pronto no próximo ano com 116 mil m², e os empreendimentos residenciais, que ganham volume, já que o estoque de terrenos para a construção comercial se esgotou.

Hoje a Vila Olímpia tem 106 edifícios comerciais - 681 mil m² de área que abrigam escritórios de advocacia, agências de publicidade, polos de tecnologia e escritórios do mercado financeiro, segundo pesquisa da Cushman & Wakefield, empresa especializada em estratégias de negócios imobiliários.

Em algumas ruas, como a Cardoso de Melo, há quarteirões inteiros que foram abaixo. Pequenos sobrados e comércios locais deram lugar a tapumes e grandes fundações, a partir das quais começam a subir torres altíssimas. Na Ministro Jesuíno Cardoso, o Colégio Nossa Senhora do Carmo, fechado há dois anos, dará lugar a um edifício comercial. "Em 1996, quando compramos o primeiro terreno na região, dava para contar nos dedos as grandes torres", diz Adalberto Bueno Netto, dono de uma construtora homônima.

A antiga região de armazéns e pequenas casas, que começou a se transformar em 2000, virou um dos polos mais concorridos do mercado imobiliário. "Apenas 5% dos escritórios estão vazios para locação", diz Mariana Hanania, gerente de Pesquisa de Mercado para América do Sul da Cushman & Wakefield. "A Vila Olímpia só perde para as regiões da Faria Lima (2,7%) e do Itaim (2, 8%). E os novos lançamentos devem duplicar o estoque de escritórios de alto padrão nos próximos três anos."

Maior impacto. Entre as estruturas mais impressionantes está uma laje de quase 3 mil m² na esquina das Avenidas Juscelino Kubitschek e Chedid Jafet, suporte de um empreendimento de 411 mil m² - divididos entre o Shopping JK e uma torre de escritório de 19 andares.

No térreo está prevista uma grande praça, que interligará três ruas e dois empreendimentos vizinhos - a Villa Daslu e a torre de 28 andares do banco Santander, inaugurada em 2008. O shopping vai atrair cerca de 20 mil consumidores por dia e a nova torre de escritórios, 3 mil funcionários. "Para minimizar o impacto, a WTorre Engenharia de Construção fará obras exigidas pela Prefeitura", explica Fernando Freitas, gerente de aprovações da empresa. Entre as mudanças previstas está o alargamento da Avenida Chedid Jafet e da pista local da Marginal do Pinheiros, entre a Ponte Ary Torres e a Rua Tucumã. A empresa investirá R$ 36 milhões em obras viárias.

Outras construtoras, como Cyrela e Bueno Netto, também tiveram de alargar calçadas, instalar câmeras, construir praças e aterrar fios. Obras que também ajudam a dar nova cara ao bairro.

AS MUDANÇAS

Chácaras

No início do século passado, a região mais alta do bairro, próxima das Avenidas Santo Amaro e Bandeirantes, tinha apenas chácaras

Galpões

Em 1930, as chácaras foram loteadas e deram espaço aos primeiros armazéns, galpões e casas

Fábricas

Na década de 1970, fábricas como a extinta Phebo e a Gelatto constroem depósitos elevados por causa das enchentes

Obras

Na década de 1990, a construção das Avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pellegrino dão mais fluidez ao tráfego

Boom imobiliário

De 1985 a 2010, foram construídos 95 empreendimentos residenciais, que levaram 27 mil pessoas ao bairro, quase o total de habitantes de Serra Negra. Também foram levantados 46 empreendimentos comerciais, segundo a Empresa Brasileira de

Estudos do Patrimônio

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