Divulacação
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Sapos, pererecas e rãs estão entre os mais ameaçados

Número de espécies ameaçadas mais do que dobrou, passando de 15 para 38; borboletas também estão em periogo

O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h04

Um dos grupos mais ameaçados da fauna brasileira é o dos anfíbios, incluindo sapos, rãs e pererecas. O número de espécies ameaçadas na lista candidata do ICMBio mais do que dobrou em relação à lista oficial atual, passando de 15 para 38.

É um "sinal vermelho", segundo o especialista Célio Haddad, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, que coordenou a elaboração da lista para este grupo. Outras 150 espécies foram listadas na categoria "dados insuficientes", o que significa que o "número real" de anfíbios ameaçados pode ser muito maior, segundo ele.

"Espécies de anfíbios continuam a ser descritas em grande número no Brasil", afirma Haddad. "O ritmo tem sido de 20 por ano e nunca foi tão alto. Um fato preocupante é que tem sido cada vez mais frequente a descrição de novas espécies que já são enquadradas como ameaçadas no próprio artigo científico que as descreve. Provavelmente a degradação ambiental no Brasil está reduzindo populações e extinguindo espécies sem que saibamos de sua existência."

Entre as espécies criticamente ameaçadas do grupo estão a perereca-de-alcatrazes, que só existe no Arquipélago dos Alcatrazes, no litoral paulista, e o Brachycephalus pernix, um sapinho amarelo que só é encontrado na mata atlântica do Paraná.

A única espécie listada como extinta na lista preliminar é também um anfíbio: a rã Phrynomedusa fimbriata, que desapareceu da Mata Atlântica há mais de cem anos. Duas espécies de tubarão foram consideradas "regionalmente extintas".

Invertebrados. Outro grupo muito ameaçado é o das borboletas, que tem 24 espécies consideradas "criticamente em perigo" - três a mais do que na lista atual. Há casos como o da Doxocopa zalmunna, que não é vista há cerca de 80 anos na região de Serra Negra e Amparo, no interior paulista. "Não sabemos se está extinta, mas certamente está criticamente ameaçada", diz o especialista André Freitas, do Laboratório de Borboletas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Assim como esse, há vários casos de espécies que não são vistas na natureza há bastante tempo. Para decretá-las extintas, porém, é preciso fazer buscas extensivas no campo - pois é possível que elas ainda existam, mas em lugares de difícil acesso ou em populações muito pequenas. "Espécies invertebradas são muito difíceis de serem detectadas sem um esforço de pesquisa no campo", explica Freitas. "Mesmo espécies relativamente comuns podem passar anos sem serem detectadas."

Um caso positivo é o da Scada karschina delicata, que hoje aparece como criticamente ameaçada, mas foi reclassificada para "em perigo", depois que seis novas populações foram encontradas em fragmentos de mata atlântica no Nordeste. / H.E.

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