São Paulo vira polo mundial de criação de HQs

'Mudar para cá foi fundamental para a evolução da minha carreira', diz o baiano Ig Guara

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2010 | 00h00

Ig Guara chegou a São Paulo há apenas três anos e destaca as facetas multiculturais da metrópole em sua obra; desenhos foram feitos com exclusividade para o Estado

De São Paulo saem as histórias dos heróis mais famosos do mundo. O desenhista do Super-Homem, Renato Guedes, estudou na escola de quadrinhos Quanta, na Vila Mariana. Em Perdizes está outro centro de formação: a Impacto, de onde saiu gente que trabalha nas duas maiores editoras americanas, Marvel e DC. Essa turma ainda frequenta bares da Praça Roosevelt, a Lapa, sede do Estúdio Mauricio de Sousa, e Pinheiros, onde está a principal agência do gênero.

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Esse grupo que ganhou fama lá fora não arreda o pé da cidade. "Mudar para cá foi fundamental para a evolução da minha carreira", diz o baiano Ig Guara, de 27 anos, que chegou na metrópole há três anos e trabalha para a Marvel (do Homem de Ferro, do X-Men). "Foi aqui que consegui oportunidades, virei amigo de outros profissionais."

Ele mora em Pinheiros, próximo da agência Art&Comics, que vende seu trabalho no exterior, e é professor da Quanta. "São Paulo ainda me ajuda a pensar em histórias, traços."

A ilustração que ele fez com exclusividade para o Estado é prova disso. "Nela mostrei uma das coisas de que mais gosto na cidade: o lado cosmopolita. Na Avenida Paulista, você cruza com japoneses, estrangeiros, gente de todo tipo." Para o artista, ótimo material de referência para desenhar.

Gerações. O paulista de Ilhabela Amilcar Pinna, de 31 anos, sonhava em trabalhar na capital paulista. "Sempre quis ser desenhista e, aos 18 anos, me matriculei num curso na Quanta com meu ídolo, o Roger Cruz (um dos principais nomes do ramo no País). Durante um ano, viajava durante seis horas em um ônibus para fazer as aulas."

Há sete anos, ele se mudou para São Paulo. Já colaborou com grandes editoras internacionais e trabalhou ao lado do ídolo em uma revista dos X-Men. "E me inspiro em cenas da cidade para criar histórias."

Pela escola da Vila Mariana, aliás, passaram nomes das três gerações de desenhistas paulistanos que estouraram no exterior. Ig e Amilcar integram a terceira e mais nova leva. "Só que foi graças a nós que eles encontraram lá fora um cenário receptivo ao brasileiro", conta Marcelo Campos, dono da Quanta e um dos integrantes da primeira geração.

História. A exportação começou timidamente, no fim dos anos 1980, com Campos e seu colega Watson Portela. Na década seguinte, ganhou força com nomes como Roger Cruz (que foi o principal desenhista das revistas X-Men) e Ivan Reis (que faz Lanterna Verde, da DC). E agora se consagrou, com mais de 20 artistas colaborando regularmente com editoras americanas e europeias, disputando prêmios e com fãs no mundo inteiro.

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