Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

São Paulo vai tratar esgoto para consumo

Governador Geraldo Alckmin anuncia construção de estações que enviarão água de reúso de volta para bacias de dois sistemas

Fabiana Cambricoli e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 13h31

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta quarta-feira, 5, que a Grande São Paulo vai usar esgoto tratado na produção de água para consumo humano a partir de dezembro de 2015. Alternativa para reduzir a dependência do Sistema Cantareira, a medida vai resultar na produção de mais 3 mil litros de água por segundo, suficientes para abastecer 900 mil pessoas. 

Duas Estações de Produção de Água de Reúso (Epar) serão construídas. Elas farão o tratamento do esgoto para depois despejar a água na Represa do Guarapiranga, na zona sul da capital, e no Rio Cotia, em Barueri, na Grande São Paulo - ambos os mananciais são responsáveis pelo abastecimento de parte da população da região. 

O modelo é semelhante ao anunciado pela prefeitura de Campinas na semana passada. A água de reúso, embora não seja potável, tem 99% de pureza - desse modo, pode ser despejada nas represas. 

A Epar Guarapiranga será construída às margens do Rio Pinheiros, na altura do Autódromo de Interlagos, e terá capacidade para despejar na represa 2 mil litros de água de reúso por segundo. “Há uma lei da Química (que diz) ‘nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’. Então, esse esgoto da região sul, em vez de ir lá para Barueri para ser tratado, você intercepta na altura da Ponte Transamérica, puxa de volta para a Epar e, por uma adutora, devolve para a Represa do Guarapiranga. Nós teremos 2 metros cúbicos por segundo a mais (2 mil litros), independentemente de chuva, porque a água já foi consumida e vai ser devolvida”, disse Alckmin.

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A outra Epar será instalada em Barueri e vai abastecer a Represa Isolina, formada pelo Rio Cotia. Ela terá capacidade para produzir 1 mil litros de água por segundo a partir de esgoto. As duas estações deverão ficar prontas no fim do próximo ano.

O incremento na produção de água nas duas represas, possibilitado pela água de reúso, vai aliviar também a demanda sobre o Cantareira. Hoje, 2,3 milhões de clientes atendidos anteriormente pelo sistema são abastecidos pelo Guarapiranga e Alto Tietê.

O governador afirmou que o volume excedente incorporado à Represa do Guarapiranga por meio da água de reúso vai equilibrar o aumento da captação do sistema, previsto para ser iniciado no próximo dia 15. “Vamos retirar 1 mil litros a mais a partir deste mês e outros 1 mil litros em setembro de 2015. Esse valor que estamos tirando a mais do Guarapiranga vai ser compensado com a água de reúso”, disse Alckmin.

Avaliação. Já adotada em outros países, a água de reúso para consumo é defendida por especialistas em recursos hídricos, uma vez que, após ser jogada no manancial, essa água passa novamente por tratamento antes de chegar à torneira. “Isso não é um problema, mas o esgoto precisa ter um nível alto de tratamento para ser jogado na Represa do Guarapiranga”, disse Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial de Água. 

Braga ressaltou que, atualmente, as invasões nas margens da Guarapiranga despejam esgoto sem tratamento no manancial. No entanto, após o tratamento, a água se torna adequada para o consumo.

De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em uma Epar, o esgoto passa por duas fases de tratamento antes de ser despejado no manancial: primeiro, é feito o tratamento, cujo produto final é um líquido já despoluído. Essa água, antes de ser devolvida para a natureza, passa por um novo tratamento no mesmo local, virando água de reúso. 

Depois, a água segue para uma adutora, que joga a água de esgoto tratada dentro da represa. De acordo com a Sabesp, o processo segue leis nacionais. 

Para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede Água da SOS Mata Atlântica, a população deve ser conscientizada sobre o processo. “Tecnologias temos disponíveis e a população não pode achar que vai beber esgoto. A sociedade deve deixar de ter a cultura da abundância de água”, disse a especialista.

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