Lawrence Bodnar/AE
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São Paulo tem madrugada mais fria desde 2003

Mirante de Santana, medidor oficial da capital, registrou 6,1°C; em Parelheiros, 2,3°C

Pedro da Rocha, estadão.com.br

28 de junho de 2011 | 07h18

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo registrou na madrugada desta terça-feira, 28, a temperatura mais baixa desde 2003. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o medidor oficial da cidade, que está localizado no Mirante de Santana, marcou 6,1ºC. Em agosto de 2003, os termômetro do Mirante de Santana chegaram aos 5,9°C.

Garis, vendedores e moradores de rua tiveram dificuldade para aguentar o frio. Em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, a temperatura chegou a 2,3ºC, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Isto porque o frio se acumulou nas áreas de baixada, informou o CGE. Campos do Jordão, no interior de São Paulo, registrou -3,8ºC. Foi a menor temperatura desde julho de 1998.

 

No bairro Vila Madalena, tradicional reduto boêmio de São Paulo, a maioria dos bares estava fechada. O publicitário soteropolitano George Vasconcelos, de 30 anos, havia chegado em São Paulo na noite de segunda-feira, 27, deixado as malas no hotel em que ficaria hospedado, na Avenida Paulista, e partido, com dois amigos direto para o bar José Menino, um dos poucos abertos no bairro. Encolhido, com gorro, ele sofria com o frio. "Na minha terra faz 15ºC e o povo já fica louco. Congelar desse jeito é impensável lá."

 

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O coordenador do bar, Danilo Carlos, de 28 anos, contou que nessa época o número de casais que frequentam a casa aumenta, e o tradicional chopinho é muitas vezes substituído pelo vinho. "Acabamos fechando mais cedo". Pouco depois da meia-noite, o bar já estava fechando.

 

Mas quem sofre mesmo no inverno são os trabalhadores da madrugada. Na Praça da República, região central da capital, dois garis recolhiam folhas. "O jeito é não parar um segundo para não lembrar do frio, que congela até as orelhas", disse um deles, Jorge Santos, de 45 anos. Munido de camiseta, três blusas, gorro e luvas, às 2 horas ele se preparava para dar uma pausa para o café, que o faria aguentar até o final do expediente, às 5 horas - ele havia começado às 22h.

 

No Mercado Municipal, vendedores de frutas e verduras davam uma pausa e se encolhiam embaixo de tendas que armavam para cortar o frio. As garrafas térmicas contendo café já estavam vazias às 3 horas, e os trabalho iria até as 6 horas. Apesar da baixa temperatura, Jurandir Fernandes, de 22 anos, um dos vendedores, mantinha o otimismo, "Na chuva ficamos encharcados e acabamos passando mais frio. Pelo menos hoje não choveu". /COLABOROU JOÃO PAULO CARVALHO

 

 

 

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