São Paulo tem chuva recorde em julho, mas ar ainda está ruim

Índice é o maior desde 1943, quando medição começou a ser feita e previsão é de mais chuva até o fim do mês

Eduardo Reina e Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo,

28 de julho de 2009 | 11h34

A Região Metropolitana de São Paulo não registrava um mês de julho tão chuvoso como este há 66 anos. Desde 1943, quando teve início a medição do índice de chuva, não caía tanta água em São Paulo. De acordo com o meteorologista Marcelo Pinheiro, da Climatempo, até a segunda-feira, 27, já havia chovido 163 milímetros, registrados na estação do Mirante de Santana do dia 1º de julho até as 9 horas de segunda. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

 

Há uma enorme massa de ar polar estacionada numa ampla área da Região Sudeste, mas pegando também o Paraná e Mato Grosso do Sul. Esse sistema forma um bloqueio muito forte, provocando toda essa precipitação de água nunca vista antes.

 

Neste julho, os paulistanos já enfrentaram cinco frentes frias, que realmente mudaram o tempo na cidade. As frentes registradas entre os dias 10 e 13, e no intervalo de 23 a 26, provocaram a chuvarada acima do normal para o período. E, de acordo com Pinheiro, há previsão de mais chuva até o final do mês. "Na quinta, está prevista a chegada de uma nova frente fria pelo litoral de São Paulo, o que vai provocar mais chuva", afirma o meteorologista. O recorde de chuva na capital em julho havia sido registrado em 1976, com 153 milímetros.

 

O coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, Hilton Silveira, afirmou que a chuva recorde em julho tem prejudicado a colheita de culturas como o café, a cana e a laranja. "Nessa época, quem produz esse tipo de cultura já está fazendo colheita com o terreno seco. Com essas chuvas em um mês seco como julho, existe uma dificuldade muito grande no manuseio das máquinas no campo, principalmente tratores que ficam atolados. Para a agricultura em geral, a chuva atípica não é benéfica", afirmou o professor. "Por outro lado, pudemos observar índices médios de umidade acima dos 40% em quase todo o Estado, numa época em que esse índice sempre está menor."

 

Tanta chuva, porém, deixa os reservatórios de água que abastecem a Grande São Paulo numa situação melhor. O sistema Alto Cotia atingiu103,2% de sua capacidade de armazenamento. O sistema Rio Claro estava ontem com 91,4%, a Billings, com 87,1%, Guarapiranga, com 84,3%, e Cantareira, 83,9%. Somente o Alto Tietê preocupa, com 49,1%.

 

Poluição

 

Mesmo com condições favoráveis para dispersão de poluentes, a capital manteve qualidade do ar regular, segundo medições da Cetesb. Na tarde de segunda, foram registrados índices regulares nas regiões do Parque D. Pedro II, Ibirapuera, Congonhas,Cerqueira César e em São Caetano do Sul.

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