Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

São Paulo tem 2º janeiro mais quente em 76 anos

No Sudeste, as temperaturas máximas ficaram até 5 °C mais elevadas do que a média do mês

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 18h16
Atualizado 01 de fevereiro de 2019 | 12h05

SÃO PAULO - Quem teve a sensação de que janeiro deste ano foi mais quente do que o do ano passado está correto. A análise das temperaturas máximas para o mês realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que, na Região Sudeste, as temperaturas máximas ficaram até 5 °C mais elevadas do que a média histórica para o período. Na capital paulista, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este foi o segundo janeiro mais quente dos últimos 76 anos.

“No ano passado, as temperaturas máximas em janeiro ficaram próximas da média histórica que, no Estado, ficam entre 26 °C e 28°C. Neste mês de janeiro, as máximas já passaram a média climatológica e ficaram 5 °C acima da média histórica, porque houve dias com temperaturas acima dos 31 °C”, explica Juliana Anochi, climatologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (CPTEC/Inpe).

Juliana diz que este verão está sendo atípico, mas observa que, nos últimos dez anos, essa situação já ocorreu. “Nota-se que os anos de 2014, 2015 e 2019 foram mais quentes, ou seja, a média das temperaturas máximas foram de 4 °C a 5 °C acima da média. E o principal motivo para essa elevação das temperaturas máximas é um sistema de alta pressão atmosférica que está bloqueando a passagem de frentes frias.”

Segundo a climatologista, isso faz com que haja menos nebulosidade nas primeiras horas do dia. “Como consequência, há maior aquecimento da superfície, o que faz com que as temperaturas máximas fiquem elevadas.” Trata-se de uma anomalia climática que deve permanecer nos próximos dias, de acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). 

“Esse fenômeno começou na última semana de dezembro, que teve muita chuva em Minas, mas em São Paulo e no Rio começou a secar. Tanto que a virada do ano foi sem chuva. Só que isso se prolongou e, até os primeiros dias de fevereiro, não tem previsão de terminar.”

Seluchi diz que o fenômeno ocorreu em 2014, e até foi mais intenso. “Foi muito pior, porque não caiu uma gota de chuva durante 45 dias praticamente em toda a Região Sudeste, afetando os reservatórios de água”, lembrou. De acordo com o Inmet, o acumulado de chuva para o mês foi de 305,9 mm, 14% acima da média histórica (263,5 mm) da capital. Janeiro foi marcado por dias com máximas acima dos 30 °C - só cinco dias registraram temperaturas mais baixas: entre os dias 4 e 6 e nos dias 25 e 26. A maior temperatura foi no dia 30, quando os termômetros marcaram 35,1 °C.

Adaptações

O publicitário André Carvalhaes, de 35 anos, teve de trocar de modalidade para continuar fazendo exercícios. “Na época do verão, com esse calor, deixo de fazer outros exercícios e fico só na natação. A gente olha para a esteira e para a piscina. Não é difícil escolher.” Carvalhaes também fez adaptações na rotina. “Na hora de almoçar, escolho locais com ar-condicionado e mais perto do trabalho, porque o deslocamento fica mais complicado.”

A psicóloga Maria Rita Ramalho Rondani, de 38 anos, tem evitado sair com os cinco filhos, que têm entre 6 e 12 anos, das 11 às 15 horas, e tem incentivado que eles se mantenham hidratados. “Os pequenos não têm muito o hábito de beber água, então comprei uma garrafinha para cada um. Tem piscina no prédio, mas não estamos frequentando, porque está muito quente. Mas a gente colocou rede nos quartos nesse verão. É muito agradável.”

Estabelecimentos de ensino também estão fazendo adaptações para driblar as altas temperaturas. Professor de Educação Física do Colégio Santa Maria, Wallace Marante diz que atividades de alta intensidade, como atletismo, são evitadas e mais intervalos são feitos durante as aulas. “A gente pede que os alunos se hidratem, mesmo sem vontade de tomar água, e os professores aproveitam os intervalos para falar sobre as modalidades esportivas, sobre a importância do trabalho em equipe.”

O Residencial Santa Cruz, que tem idosos como público, instalou mais aparelhos de ar-condicionado e incluiu mais residentes nas atividades na piscina. O calor também aumentou o movimento no serviço de day use nas piscinas de hotéis. No Hilton São Paulo Morumbi, na zona sul da capital, a procura cresceu 50%. O Maksoud Plaza, nas imediações da Avenida Paulista, lançou mais duas opções do serviço, que estarão disponíveis a partir desta sexta-feira, também por causa da alta procura.

Rio

O Rio de Janeiro teve o janeiro mais quente desde que o Instituto Nacional de Meteorologia começou a medir as temperaturas, em 1922. A média das máximas diárias, registradas na estação de medição de Santa Cruz (zona oeste), chegou a 37,4°C, três décimos acima do recorde anterior, que era de 37,1°C, registrado em 1984. / COLABOROU FÁBIO GRELLET

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