Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Em São Paulo, população se adapta a nova rotina por temer contágio

Capital paulista muda fluxo de trânsito, reduz o comércio e lojistas já são vistos usando máscaras como precaução

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 22h07

A cidade de São Paulo “já” diminuiu o ritmo em consequência das medidas de combate à disseminação do coronavírus. A cidade de São Paulo “não” diminuiu o ritmo em consequência das medidas de combate à disseminação do coronavírus. As duas afirmações, embora apontem para lados opostos, são verdadeiras. 

A primeira refere-se a uma São Paulo que acordou com uma média de trânsito um pouco superior aos 6 km. No mesmo horário, por volta das 7h30, estamos habituados a uma média superior aos 23 km. Essa mesma São Paulo chegou ao horário considerado de pico, por volta das 18h, com um média de 18 km, três vezes inferior aos 55 km que encontramos em dias considerados bons. Aliás, os 18 km desta terça-feira estão bem abaixo daquilo que a CET apresentou como expectativa para o mês de janeiro – período, é bom lembrar, de recesso escolar e férias. De acordo com a CET, o limite inferior de janeiro para as 18h foi de 32 km. Já o limite superior esperado foi de 62 km. 

Nessa São Paulo que diminuiu o ritmo para combater o coronavírus tinha motoristas de aplicativo dizendo que “parecia domingo”, um trânsito fluindo com rapidez (em vias como as Marginais, Tiradentes, Sumaré, Pacaembu e outras), poucas pessoas nos pontos de ônibus da Avenida Paulista ou da Faria Lima, bares e restaurantes avisando que a separação entre suas mesas foi aumentada, que estão controlando o fluxo de entrada de clientes e até preferindo o pagamento em cartão – para não precisar ter contato com notas. 

Também nessa São Paulo que diminuiu o ritmo, o dono de uma banca de jornal localizada ao lado do Masp, na região da Avenida Paulista, Jorge Menezes Santos, 54 anos, avisou que iria baixar suas portas às 18h por falta de movimento. “Normalmente, eu fecho às 22h. Mas hoje está muito parado.” 

Alguns entregadores de comida nos Jardins comemoram o fato de que o número de pedidos estava muito bom em plena terça-feira. “Tem muita gente trabalhando de casa. É um movimento 30% maior do que o normal”, disse a entregadora Gisele dos Santos, de 31 anos. 

Agora, teve também a outra São Paulo, uma cidade que não diminuiu o ritmo nesta semana. Na 25 de Março, vendedores ambulantes ofereciam álcool em gel e máscaras, com preços que variavam de R$ 5 a R$ 20. Embora a qualidade dos dois produtos seja bastante duvidosa, a reportagem flagrou uma aglomeração de pessoas comprando-os. Segundo os lojistas, o movimento diminuiu sensivelmente, mas, ainda assim, é possível ficar ombro a ombro e se apertar nos estabelecimentos mais conhecidos ou com promoção. 

Por volta das 18h, na cidade que não diminuiu o ritmo, a Estação Barra Funda do Metrô mantinha um movimento considerável. Mesmo sem ser a lata de sardinha dos dias mais caóticos, era um trem com muita gente – e suficientemente próximas para aumentar os riscos de contaminação. 

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