São Paulo registra terceira  manhã mais lenta da história

Capital paulista registrou 209 quilômetros de congestionamento às 9h30 nas vias monitoradas pela CET

Caio do Valle, Felipe Cordeiro e Julia Affonso, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2014 | 08h34

Atualizado às 10h45

SÃO PAULO - A greve dos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e dos metroviários afeta o trânsito da capital paulista nesta quinta-feira, 5. A cidade registrou o recorde de lentidão no período da manhã em 2014, com 209 quilômetros de retenção nas vias monitoradas pela CET às 9h30 - o normal para o horário seria entre 74 e 105 quilômetros. 

O índice de lentidão é o terceiro maior da história para o período da manhã. Os dois primeiros ocorreram em 2012: 249 quilômetros às 10h do dia 23 de maio; e 245 quilômetros às 10h de 12 de novembro. Já o recorde anterior de trânsito na manhã neste ano foi de 168 quilômetros, registrado em 22 de maio.

'Marronzinhos'. O Sindicato dos Trabalhadores no Sistema de Operação de Tráfego do Estado de São Paulo (Sindviários) estima que 75% da categoria aderiu à paralisação, iniciada na noite de quarta-feira, 4, após uma assembleia.

Um dos impactos da falta de mão de obra pôde ser observado na Radial Leste. Ali, a faixa reversível, montada todas as manhãs para tentar desafogar o trânsito no sentido centro, não foi ativada. O resultado: 12,7 km de trânsito lento, entre a Praça Divinolândia e a Rua Wandenkolk, no Tatuapé, na zona leste.

Além disso, a faixa reversível da Estrada do M'Boi Mirim, na zona sul, passou a funcionar mais tarde, o que não refrescou em nada para os motoristas e passageiros de ônibus que circulam por aquela via, no sentido centro. É o que explica o presidente do Sindviários, Reno Ale.

Ainda de acordo com ele, a CET montou um plano de contingenciamento para tentar lidar com a greve. "Alguns chefes e assessores, que não costumam sair à rua, estão dirigindo viaturas sem uniforme e sem preparo nenhum. Por enquanto estão passeando de carro", afirma.

Ale também diz que fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) foram vistos monitorando o trânsito, embora não tenham capacitação para isso. "Muitos estão com a mão no bolso."

A categoria pede reajuste salarial de 12,9%, além de aumento de 20% nos vales alimentação e refeição, além de outros benefícios. A CET propôs reajuste de 8%.

Existem cerca de 1,7 mil agentes da CET na cidade de São Paulo. Ale conta que o sindicato não foi contatado pela CET nem pela Secretaria Municipal dos Transportes depois da decretação da greve. A próxima assembleia da categoria pode ocorrer nesta sexta-feira, 6.

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