São Paulo Reclama

SUJEIRA, POLUIÇÃO E CALÇADAS DANIFICADAS

, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Mooca abandonada

Nasci na Mooca em 1951. Em 1980, mudei-me para o Butantã, passei por Higienópolis, Morumbi e Pompeia. Há 30 dias voltei a morar na Mooca. Mas está sendo difícil, pois as ruas estão imundas e abandonadas pela Prefeitura. São lamentáveis o descaso e a falta de educação dos moradores do bairro, que não cuidam nem ao menos das suas calçadas. Refiro-me ao quadrilátero da Avenida Paes de Barros com as Ruas Visconde de Inhomerim, Ezequiel Ramos e Camé! Há ainda o tráfego de veículos de grande porte na Rua Visconde de Inhomerim para cruzar a Av. Paes de Barros, no sentido leste. É desumana a poluição do ar e sonora que os moradores têm de enfrentar.

FLÁVIO DE ALMEIDA CAMPOS / SÃO PAULO

A Subprefeitura Mooca concorda com o leitor quando diz que a população é fundamental no apoio à Prefeitura para zelar pela cidade. Diz que mantém esforços diários em relação aos serviços de limpeza, remoção do entulho e lixo descartado irregularmente em vias da região, além de fiscalizar para flagrar e punir os responsáveis. No quadrilátero citado, agentes da subprefeitura vão notificar os proprietários que estiverem com suas calçadas danificadas. Acrescenta que a Avenida Paes de Barros e a Rua Ezequiel Ramos recebem diariamente serviços de varrição.

O leitor diz: Na reclamação citei apenas um quarteirão, mas todo o bairro está abandonado. A diferença é gritante em relação aos bairros Pompeia, Perdizes e Lapa, por exemplo, que praticamente cresceram ao mesmo tempo. A subprefeitura deveria fazer um trabalho de conscientização de comerciantes e moradores, iniciando com a distribuição de panfletos.

SOS SUS

Triste retrato da saúde

Sou faxineira e sustento minha família. Em 2009 soube que estava com câncer. Como só havia data para exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para 3 meses depois, uma amiga pagou por eles num laboratório particular. Em novembro fui atendida no SUS pelo dr. Eurico, que me examinou e disse que eu havia deixado passar muito tempo e que não adiantava operar, como se a culpa pela demora no atendimento fosse minha. Fui encaminhada ao Hospital Pérola Byington, para tratamento de quimioterapia e radioterapia, em 27/1/2010, que durou até 18/3/2010. Em 31/1/2011 tive alta. Ao realizar exames de rotina, em março, foi constatado que a doença retornara e que não havia muito o que fazer. Marcaram sessão de quimioterapia para 8/6 e consulta para 14/6. Mas em 10/6 ligaram do hospital dizendo que a consulta fora desmarcada, pois todos os médicos da quimioterapia tinham pedido demissão e que eu aguardasse nova data. Desconfio que eu poderia ter sido operada logo que a doença foi detectada, mas sairia mais caro para o governo. É verdade que encontrei médicos atenciosos e interessados. Mas outros não deveriam nem trabalhar na área.

ZENILDE MAMÉDIA DE JESUS / SÃO PAULO

O Hospital Pérola Byington agradece o reconhecimento à equipe médica e diz que o agendamento da quimioterapia da sra. Zenilde foi adiado por uma semana (de 14/6 para 27/6). Isso pelo fim do contrato com o oncologista que a atendia. Não procede a informação de que todos os médicos pediram demissão. A Oncologia Clínica do Hospital é formada por 15 médicos efetivos e atende 1,5 mil pacientes/mês.

A leitora desmente: Não é verdade. A consulta foi marcada para o dia 1.º/7. A do dia 14/6 foi desmarcada pela própria Ouvidoria, que informou que todos os médicos tinham pedido demissão. Disse ainda que, se o hospital demorasse para me retornar, eu deveria fazer uma reclamação.

Análise: O drama relatado pela leitora ilustra a caótica e lastimável situação em que se encontra o sistema de saúde pública no País. Embora o acesso à saúde seja um direito previsto na Constituição, na prática não é o que se observa. A falta de médicos, de vagas em UTIs e de medicamentos mostram que os investimentos governamentais são inferiores às necessidades da população. É aconselhável que a leitora formalize sua reclamação nas ouvidorias mantidas pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e pelo Hospital Pérola Byington, buscando solução. Persistindo o problema, ela deve fazer uso do Poder Judiciário, requerendo uma liminar, para garantir a continuidade do tratamento com maior rapidez. Caso a leitora e outros cidadãos em situação semelhante não tenham condições financeiras para contratar advogados particulares, devem buscar ajuda na Defensoria Pública. Sobre a dúvida a respeito do direcionamento dado ao tratamento, sobretudo na ocasião do diagnóstico, é recomendável solicitar o parecer de outros médicos, por escrito. Constatado o erro, ela pode requerer, do Estado de São Paulo e dos profissionais envolvidos, o pagamento de indenização pelos danos morais e materiais que o agravamento da doença lhe acarretou.

Julius Cesar Conforti, advogado, é membro do Health Lawyers

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