Tiago Queiroz/Estadão - 05/10/2021
Tiago Queiroz/Estadão - 05/10/2021

Governo de SP prorroga uso obrigatório de máscaras até 31 de janeiro para conter gripe e covid-19

Decisão da gestão João Doria (PSDB) foi anunciada nesta segunda-feira. Uso da proteção é obrigatório no Estado desde julho de 2020; demanda por vacinas antigripais tem crescido na capital

Priscila Mengue e João Ker, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2021 | 12h39
Atualizado 20 de dezembro de 2021 | 15h39

O governo de São Paulo decidiu prorrogar a obrigatoriedade do uso de máscaras até 31 de janeiro. A decisão considerou a disseminação de novas variantes da covid-19, especialmente a Ômicron, e também o aumento de casos de gripe em parte do País.

"Lembrando que sempre para modificação de alguma estratégia, nós continuamos nos baseando tanto no número de casos, internações e mortes, e também, de situações novas, como as próprias variantes. Tudo isso vai nos guiar em qualquer estratégia”, disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.  

No fim de novembro, a gestão João Doria (PSDB) chegou a anunciar a liberação do uso ao ar livre a partir de 11 de dezembro, mas voltou atrás na semana seguinte, antes da mudança entrar em vigor.

A Prefeitura de São Paulo confirmou na sexta-feira, 17, três casos de transmissão comunitária da Ômicron. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, duas mulheres, de 22 e 65 anos, e em um homem, de 30, estavam com a variante sem passagem recente por outro País ou contato com algum viajante que tenha chegado do exterior. Ao todo, há ao menos 13 diagnósticos positivos para a cepa na capital paulista.

O Estado São Paulo teve uma média móvel (calculada com base nos dados dos últimos sete dias) de 371 novas internações diárias no domingo, 19. A taxa está em crescimento desde 10 de dezembro, quando foi de 269, a menor de toda a pandemia. No auge da segunda onda, a média de hospitalizações foi de 3.399, em 26 de março.

O uso de máscaras é obrigatório no Estado de São Paulo desde 1º de julho de 2020.  O descumprimento da determinação pode ser punido com multas de R$ 552,71, por pessoa física, e de R$ 5.294,38 por estabelecimento. Segundo o governo, 78,4% da população estimada do Estado está com o esquema vacinal completo.

Aumento da procura por vacina

O surto de gripe na capital paulista tem aumentado a busca pela vacina na rede privada. Com 18 laboratórios espalhados por oito cidades de São Paulo, o CDB Medicina Diagnóstica esgotou seu estoque de vacinas contra a gripe em agosto deste ano. Ainda assim, o call center da rede teve um aumento na procura por esse imunizante, uma tendência que começou há 25 dias e vem aumentando. A maioria dos clientes tem mais de 45 anos.

"Começamos a notar uma migração dos pedidos para a vacina de gripe, o que não é o normal para essa época do ano, uma vez que a demanda tende a se concentrar no primeiro semestre do ano, quando há maior incidência do surto de gripe", conta Ricardo Dupin, CEO da Alliar, dona dos laboratórios. 

Ele destaca também que o surto de gripe tem feito as pessoas procurarem mais por testes do coronavírus, que tiveram um aumento de 30% na primeira semana de dezembro em comparação com o mês anterior. "Vínhamos com uma queda na busca pelas testagens, semana após semana, desde maio. Com o aumento dos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), os pacientes fazem primeiro o exame de covid, o que chamamos de diagnóstico por exclusão."

O aumento da busca pela vacina contra a gripe na capital paulista tem causado consequentemente o aumento do preço do imunizante. No Jardim Paulista, a Castro & Castro Serviços Médicos Eireli cobrava nesta semana R$305 por cada dose. No estoque, apenas oito disponíveis. 

Membro da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Ana Karolina Barreto Marinho alerta entretanto que as vacinas contra a gripe disponíveis no Brasil não cobrem o subgênero da cepa Darwin, responsável pelo aumento de casos no País. "Não vejo benefício (da vacinação) neste momento. Esse tanto de casos não era esperado para essa época e, à medida que há relaxamento das medidas de proteção, infelizmente tivemos esse surto fora de contexto", observa. 

"A vacina eficaz será a do ano que vem",diz, completando que dificilmente os imunizantes disponíveis serão capazes de sequer aliviar os sintomas da cepa circulante. "Agora, precisamos lembrar do restante da composição da vacina, que protege outros vírus como a H1N1. Esse é o momento de não relaxar com uso de máscaras e higienização das mãos."

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