Marcos Bizzotto/AE
Marcos Bizzotto/AE

São Paulo faz Virada mais diversificada

Megaevento reuniu na 8ª edição 4 milhões de pessoas no centro; 1,2 mil foram abordadas pela PM, 8 presas e uma jovem teve overdose

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2012 | 03h02

Pouca política, muita marra. Pouca comida, muita farra. Apesar dos banners colocados pelo chef Alex Atala em seu estande no Minhocão - "Veta, Dilma", em alusão ao desejo de ver refutado o texto do Código Florestal aprovado no Congresso Nacional -, a 8.ª edição da Virada Cultural não foi marcada por grandes arroubos da vontade política. São mais a avidez e a pressa de um público estimado em 4 milhões de pessoas que deixam lembranças.

A fila de três quilômetros que se estendeu pelo Minhocão na madrugada salivando em busca de famosos pratos de grandes chefs da gastronomia estava em busca de diversão e arte, é claro, mas principalmente de comida e novas experiências.

A política que compareceu na Virada não foi a partidária, mas a noção clássica de política: o combate à repressão social, do Estado, comportamental, o estímulo à derrubada dos preconceitos e das barreiras de sexo e classe. Apresentações antológicas dos grupos Suicidal Tendencies e Titãs deflagraram, no domingo, a fome de rebelião.

O público, às 9h30, rompeu as grades de proteção do Suicidal Tendencies e juntou-se ao grupo no palco, em mergulhos temerários rumo à multidão, em uma dança frenética e sem regras. Os Titãs revisitaram uma fase em que arremetiam furiosamente contra o "sistema", e sua velha eficiência retornou como que por mágica à Pauliceia, em hits atemporais como Polícia e Bichos Escrotos (leia mais abaixo).

No palco da República, as meninas Flora Matos e Lurdez da Luz invertiam o axioma do hip-hop de que a rima é coisa dura e de macho e tornaram o ritmo, por uma tarde, refém de versos mais macios, danças mais sensuais e impregnadas de dramas femininos cotidianos. Arredondaram a rima, colocaram curvas onde só havia verso pontiagudo.

A fome cultural, ao contrário da estomacal, podia ser aplacada em diversas vertentes. A Virada foi marcada por uma mais ampla diversidade de gêneros do que em anos anteriores - rap, carimbó, hardcore, blues, surf music, teatro alternativo, teatrão, pole dance, erudito, psicodelia, pop, brega.

Houve muitos biscoitos finos para a degustação da massa - embora o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, considere incompatível um evento de "massa" e a "alta gastronomia". Dois atos artísticos sem lírica - a guitarra chorosa e virtuosa de Popa Chubby, americano que tocou com Aretha Franklin e Ray Charles; e a surf music do grupo Man or Astro-Man - já podem figurar entre algumas das melhores apresentações da década na cidade de São Paulo.

Em razão de um público gigantesco, a segurança foi reforçada para a Virada. Quase cinco mil homens, entre policiais militares, guardas-civis metropolitanos e seguranças particulares trabalharam no evento. Mesmo assim, houve brigas, arrastões, furtos e roubos.

Segundo a Polícia Militar, 1.200 pessoas foram abordadas e oito presas em flagrante. Além disso, 16 crianças e adolescentes foram apreendidos, a maioria por furto e roubo. Os tumultos mais significativos aconteceram perto Avenida São João.

Uma adolescente de 17 anos, identificada como Juliana, morreu na madrugada de ontem. Segundo a Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Misericórdia, para onde a jovem foi levada, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória causada por uma overdose. Sessenta gramas de cocaína foram encontradas com ela. / COLABOROU JULIANA DEODORO

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