Daniel Tëixeira/Estadão
Daniel Tëixeira/Estadão

São Paulo atinge maior trânsito de sua história com 344 km parados

Marca anterior havia sido de 309 km de lentidão na véspera do feriado de Proclamação da República no ano passado

O Estado de S. Paulo

23 Maio 2014 | 18h30

Atualizada às 22h19

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo registrou, às 19h desta sexta-feira, 23, o maior congestionamento da sua história, com 344 quilômetros de vias paradas. Foram 35 km a mais do que o recorde anterior, de 309 km de lentidão, alcançado na véspera do feriado da Proclamação da República, no ano passado. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) atribuiu o índice à chuva, ao excesso de veículos - que é normal às sextas-feiras - e à preocupação da população com greves.

Durante a tarde, a cidade ainda tinha reflexos da greve de motoristas e cobradores de ônibus da Grande São Paulo de uma manifestação com 5 mil professores no Viaduto do Chá. Os 344 km desta sexta representaram 39,6% das vias monitoradas pela CET congestionadas, número muito acima da média do horário, de 20%, ou 175 km. O recorde foi 11,3% maior do que o registrado pela companhia no ano passado.

De acordo com Olímpio Mendes de Barros, gerente da Central de Monitoramento da CET, além dos fatores que são recorrentes às sextas-feiras, o medo de novas greves na capital e paralisação de motoristas e cobradores de ônibus na Região Metropolitana colaboraram. "O fato de as pessoas terem enfrentado dois dias de greve antes fez com que muitos acumulassem tarefas para resolver na sexta-feira", afirmou Barros. Um dos argumentos que sustentam essa possibilidade, segundo ele, foi o trânsito nas duas Marginais, que ficaram bloqueadas.

Ainda de acordo com a CET, 41 semáforos registraram algum tipo de problema. A companhia deu prioridade de efetivo de marronzinhos nas Marginais e no Corredor norte-sul.

Motor quente. Em um posto de combustível na altura da Ponte do Limão, na zona norte, o vendedor Rafael Henrique Soares, de 27 anos, aguardava o motor de seu Palio Weekend 1998 esfriar. "Fiquei muito tempo parado no trânsito, acelerando, freando, e o motor esquentou. Como o carro é velho, tenho de parar um pouco para esperar esfriar. Só tenho esse."

Entre o Bom Retiro, na região central, e a Ponte do Limão, ele levou uma hora. Normalmente, demora 20 minutos no trecho.

No mesmo posto, o manobrista Antonio Severino de Oliveira, de 57 anos, se arrependia de ter saído de carro para trabalhar. "Eu prefiro ir de moto para não pegar trânsito, mas com a chuva, por segurança e conforto, tive de pegar justamente um trânsito desses", disse. A publicitária Satye Inatomi, de 34 anos, disse acreditar que o medo de greves piorou o trânsito. "Alguns colegas de trabalho foram de carro, com receio de o problema se repetir."

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