Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

São Paulo ainda tem convívio difícil com skate

Segundo esporte mais praticado da cidade causa conflitos e insegurança até em pistas exclusivas

Valéria França - O Estado de S. Paulo,

05 de maio de 2012 | 17h10

SÃO PAULO - Normalmente, só o deslizar das rodinhas já faz barulho e causa reclamações de vizinhos. Quando chega a hora das manobras radicais, o estardalhaço aumenta. O skate é o segundo esporte mais praticado em São Paulo, atrás do futebol. Está presente em pistas, praças, parques e, na maioria das vezes, causa polêmicas e discussões sobre segurança. De um lado, os skatistas; de outro, não praticantes que temem pela integridade física de quem está por perto.

A cidade tem procurado soluções para o conflito. Cem pistas espalhadas pela capital surgiram como uma forma de proteger praticantes e quem estiver por perto. O governo tentou tirar o esporte da rua, construindo e reformando espaços para transformar em pistas exclusivas para o skate. Algumas estão dentro dos Centros de Educação Unificados (CEUs), outras em praças, equipadas com street, bowl em formato de 8 e rampa. Os equipamentos foram bem-vindos, mas, fora desses pontos, os problemas continuam.

"É um esporte muito agressivo", diz Karol Annes, de 46 anos, do Conselho Gestor do Parque do Ibirapuera, na zona sul. "Todo fim de semana há ocorrências de acidentes graves. Neste ano, um patinador foi atingido por um skate desgovernado e sofreu traumatismo craniano."

Desde o dia 14 de abril, os skatistas têm espaço liberado no Parque do Ibirapuera de segunda a sexta-feira, das 6 horas a meia-noite, mas aos sábados, domingos e feriados houve uma restrição: não podem andar ali das 12h às 18h. Isso vale para a Ladeira da Preguiça, com 30 metros de extensão. "A restrição piorou o problema, porque agora eles estão espalhados por todos os lados, aumentando o risco de acidentes com crianças e idosos", diz Karol. "Além disso, no meio dos skatistas tem muita droga."

Prédios. Em condomínios de luxo, as pistas de skate já surgem como um atrativo de venda. O equipamento de lazer é visto como um meio de tirar o adolescente da rua e tê-lo sob vigilância.

Mas não funciona bem assim. No empreendimento Golf do Forte, em Osasco, por exemplo, há um bowl para manobras. "Há um ano, a pista era cheia. Só que a maior parte dos skatistas não era do condomínio, mas das redondezas", diz o síndico Daniel Goldfinger, de 52 anos. "O condomínio começou a ficar muito inseguro, então endureci as regras, proibindo visitantes de usar equipamentos de lazer."

Outra preocupação do síndico era em relação à integridade física dos skatistas. "Nem todo praticante usa equipamento como capacete, joelheira e outros protetores. Os pais saem para trabalhar e a criançada fica sozinha. É muito fácil cair, fraturar alguma parte do corpo, ou ainda bater a cabeça." Hoje, a pista está vazia, e o síndico vai tentar aprovar em assembleia que a área seja reformada e ganhe outro uso.

Público. No Parque da Independência, no Ipiranga, zona sul, a segurança também preocupa os administradores. Apesar de não ter pistas, o local recebe muitos praticantes de downhill, que consiste em descer longas ladeiras sobre rodinhas. Mas o praticante tem de usar capacete.

Ontem, a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação realizou a 10.ª edição da Copa Sampa Skate, com 25 mil praticantes. Para deixar a pista mais atraente, o arquiteto Vinicius Patriol, de 36 anos, colocou elementos que copiam o mobiliário urbano, como canos, que imitam o corrimão de escadas. "Além da diversão, o evento quer mostrar campos de trabalho que tenham a ver com o esporte", observa Patriol. "Enfim, poucos vivem só de andar de skate."

 
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