Alex Silva/AE
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São Paulo ainda não se vestiu para a Copa de 2014

Greve dos metroviários mostra o tamanho do problema que a metrópole enfrenta a dois anos da Copa

Luiz Antônio Prosperi,

24 de maio de 2012 | 00h01

SÃO PAULO - O caos em São Paulo, nesta manhã de quarta-feira, 23, ilustra bem o tamanho do problema que a metrópole enfrenta a dois anos da Copa do Mundo no Brasil. Uma simples greve dos metroviários parou a cidade. A confusão entre usuários do metrô e a polícia, em Itaquera, região onde se ergue o estádio que vai abrigar a abertura do Mundial, é um indício da encrenca que as autoridades do governo têm pela frente.

 

Não é difícil imaginar o que pode acontecer se o metrô não funcionar em um dia de jogo da Copa, seja lá por saturação ou por uma paralisação dos operadores dos trens. Quais as alternativas os governos e o pessoal da Fifa têm para garantir o ir e vir dos torcedores até o Itaquerão? Existe um plano de emergência?

 

Por experiência própria de ter nas costas seis coberturas de Copas do Mundo, sempre pelo Grupo Estado, de 1990 na Itália até 2010 na África do Sul, os responsáveis pela Copa encontram soluções emergenciais para garantir a plena realização do evento, sem grandes incidentes. Em nenhum dos seis Mundiais que cobri tive conhecimento de que as cidades-sede travaram com fluxo de torcedores, turistas e o cidadão comum em dias de jogos.

 

A Fifa tem planos de emergência em algumas cidades do Brasil, planos estes que foram montados por especialistas do País. A entidade sabe muito bem que não pode comprometer seus patrocinadores e consumidores do futebol. Está em jogo o seu faturamento de US$ 3 bilhões com a realização da Copa no Brasil.

 

Em todos os casos, Fifa à parte, as obras de mobilidade urbana prometidas pelo prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin para atender Itaquera, quer dizer, para se chegar sem atropelos ao estádio do Corinthians, ainda não saíram do papel.

 

No próximo dia 30, vamos completar um ano do início das obras no Itaquerão. E até agora não se viu uma máquina rasgando as vias para ampliar as avenidas de acesso ao estádio. Nem mesmo conexões entre marginais, aeroportos e centros vitais para o trânsito de torcedores, delegações e imprensa foram apresentados ao público.

 

São Paulo, a principal cidade do País, ainda não se vestiu para a Copa do Mundo de 2014. Não há um envolvimento de todas as frentes para transformar o evento em um grande acontecimento, a não ser que a metrópole não queira mesmo dar ao Mundial a importância que ele merece.

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