Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Santos terá verão com acessos e orla 100% monitorados

Sistema identifica 97% dos carros que entram e saem da cidade; nos 9 km de praia há 32 câmeras e não existem mais pontos cegos

Felipe Resk, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2015 | 07h17

SANTOS - A partir deste verão, todos os banhistas de Santos, no litoral de São Paulo, serão vigiados o tempo inteiro. Os acessos ao município são monitorados por 127 câmeras capazes de ler e registrar a entrada e a saída de veículos. Cerca de outras 500 câmeras estão espalhadas por todos os bairros da ilha, em especial em áreas comerciais e na orla, que recentemente foi alvo de arrastão. Tudo é acompanhado e gravado 24 horas por dia.

Ao longo dos 9 quilômetros de praia, foram instaladas 32 câmeras – a maior parte do tipo “dome”, que pode girar 360° e captar imagens de alta resolução a até 2 km de distância. A implementação na orla foi concluída na semana passada e, segundo a prefeitura, não há mais ponto cego na areia. Os demais equipamentos foram espalhados pela cidade, com ênfase em áreas de turismo e de serviços.

O sistema permite monitorar em tempo real pessoas em atitude suspeita e flagrar delitos. Uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e um policial militar acompanham as imagens. Cerca de 20% das câmeras têm análise inteligente de vídeo, que permite, por exemplo, emitir alerta caso uma mochila seja abandonada em local público ou alguém pule o muro de uma escola.

“Eu acho ótimo, quanto melhor para a segurança, melhor para a gente também”, afirma o morador Róbson de Oliveira, de 31 anos, que trabalha em um bar na região do Gonzaga. “No bairro mesmo não temos muitos problemas de insegurança, mas recentemente houve um arrastão na praia.”

Na última madrugada de outubro, câmeras da prefeitura flagraram o arrastão na orla, que terminou com pelo menos 14 vítimas, cinco presos e quatro menores apreendidos. Alertados pelo controle de monitoramento, PMs e guardas-civis conseguiram pegar os suspeitos pouco mais de cinco minutos depois de terem participado da série de assaltos.

Todos os bairros da ilha dispõem de ao menos uma câmera. Já na parte continental, área de periferia, o sistema não foi universalizado. Segundo o secretário municipal de Gestão, Fábio Ferraz, foram escolhidos locais com maior movimentação para instalar os equipamentos. “Por meio de análises de mapas de calor, vimos onde há maior intensidade de atividade comercial e população. São critérios técnicos.”

Muralha digital. Onze entradas e saídas da cidade também são monitoradas por câmeras com tecnologia OCR (reconhecimento ótico de caracteres, na sigla em inglês). Por meio do reconhecimento da placa, o sistema pode identificar carros roubados ou localizar um veículo usado por sequestradores.

“No exato momento em que o carro cruzar uma das nossas câmeras, temos condição de saber o seu destino e avisar as autoridades competentes. É uma muralha digital”, diz Ferraz. Segundo a prefeitura, essas câmeras conseguem identificar cerca de 97% dos carros que entram e saem da cidade.

O Estado testou o sistema no dia 3 deste mês. Durante a entrevista com o secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel, a reportagem informou a placa do seu veículo, sem combinar previamente. Em menos de um minuto, recebeu por e-mail a imagem do carro, a rodovia usada para entrar na cidade e o horário. Todas as informações estavam corretas.

Integração. As imagens das câmeras de segurança espalhadas pela cidade ficam armazenadas por um mês e podem ser solicitadas pela polícia para auxiliar em investigações de crimes. De janeiro a outubro, foram feitos cerca de 3,5 mil pedidos – quatro deles da Polícia Federal.

Apesar de o foco ser a segurança pública, o “parque de câmeras” também serve para acompanhar acontecimentos diversos, como acidentes e ocorrências de incêndio ou enchente. “As câmeras de segurança não são a cura para todos os males, mas podem ser um instrumento muito útil para o gerenciamento da cidade como um todo”, afirma Del Bel.

A prefeitura pretende inaugurar em abril um Centro de Controle Operacional, com custo previsto de R$ 42 milhões, para substituir a atual sala de monitoramento. A ideia é que o novo espaço, que está em construção, receba representantes de outros órgãos, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Corpo de Bombeiros, além de secretarias municipais.

Cancela. Para tentar evitar que carros de turistas e comerciantes irregulares entrem na praia e estacionem na areia - um problema que se repete há anos -, a prefeitura de Santos também pretende instalar cancelas automáticas por toda a orla. Com o projeto finalizado, mas ainda sem empresa contratada para executá-lo, a medida deve surtir efeito apenas no verão de 2017.

Com investimento previsto de R$ 1 milhão, serão instaladas 15 cancelas para fazer o acesso controlado à faixa de areia. O objetivo é permitir entrada apenas de veículos autorizados, como as equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), de policiamento e de limpeza.

Segundo a prefeitura, a previsão é de que as cancelas sejam postas em abril do próximo ano, já depois do próximo verão. Atualmente, a fiscalização dos acessos à faixa de areia é feita por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, que chega a usar cone e faixas para bloquear a entrada de carros indesejados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.