Santos Dumont, SP e a Revolução

Ele era mineiro, viveu e ficou famoso na França, por sua ousadia de voar, mas foi um paulistano. Referências sobre ele e sua obra estão pela cidade. E neste mês de julho, tempo da Revolução Constitucionalista, sempre volta à memória. Santos Dumont, o pai da aviação (1906), é lembrado nas Praças 14 Bis (Bexiga) e Campo de Bagatelle (Santana) e no casarão da Alameda Cleveland (Santa Cecília), hoje preservado pela Fundação de Energia de São Paulo, no qual viveu com a família.

, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

A ligação de Alberto Santos Dumont (1873-1932) com São Paulo aparece bem no livro Santos Dumont, bandeirante dos ares e das eras, de Paulo Urban e Homero Pimentel (Editora Madras). Ganhei o livro do amigo jornalista Ari Camargo, um amante das histórias paulistanas. Li também Os meus balões, tradução do original Dans L''Air, obra da biblioteca de O Estado de S.Paulo.

Os livros contam detalhes saborosos da trajetória do inventor brasileiro. Foi em São Paulo que o pai dele, Henrique Dumont, o emancipou, aos 18 anos, e deu-lhe um dote em títulos suficientes para que se dedicasse ao sonho de voar sem se preocupar com rendas.

A obra de Urban e Pimentel lembra o ocaso do "Petit Santôs", como o visionário adorador de balões e maquinetas era chamado em Paris por ser franzino. Em 1932, doente, refugiado no Guarujá para tratamento, vê-se Santos Dumont no meio do conflito político entre São Paulo e o governo central. E tem sua obra maior, o avião, sendo usada "pelo ditador Vargas" na guerra contra São Paulo. "Era sábado, 23 de julho. Dumont recebe pelo rádio a notícia de que aviões legalistas haviam bombardeado o Campo de Marte, em São Paulo, e que voavam para atacar Santos, São Vicente e Guarujá", conta o livro.

Aos 59 anos, Santos Dumont vivia deprimido. Naqueles dias, acumulava a frustração de tentar influir em busca de apoio mineiro para São Paulo, sem conseguir. Redigira manifesto chamando Minas Gerais a se juntar aos paulistas contra o governo central, mas fracassara. "Entrou em pânico", relatam os historiadores. Culpava-se "por toda a desgraça que via exposta à sua volta". Contam os biógrafos que ele desistiu da vida no apartamento 152 do hotel La Plage, enforcando-se com "duas gravatas vermelhas". Getúlio Vargas, ao saber da morte, mandou mudar a causa mortis para "parada cardíaca", negando ao País o motivo do falecimento do "herói nacional". Anos depois, em 1954, o próprio Getúlio buscaria no ato que tentara esconder a sua entrada para a história.

Apaixonado por balões no céu

Alberto Santos Dumont, que nasceu em Palmira, atual Santos Dumont (MG), teve seu primeiro contato real com aquilo que se transformaria em seu sonho mais arraigado - o voo dos homens - em São Paulo. Fascinado por balões e pela literatura de Júlio Verne, tinha o rapaz 15 anos, em 1888, quando, numa visita da família a São Paulo, viu um balão de verdade. Um acrobata saltava do "aerostato, impressionando fortemente o público", contam os historiadores Paulo Urban e Homero Pimentel. Era um sonho, desde os tempos da brincadeira de escola "passarinho voa?". O menino Albertinho sempre respondia: "O homem voa."

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