Santa Maria: jovem que se salvou com freezer tem alta

A funcionária da boate Kiss Ingrid Preigschadt Goldani, de 21 anos, que sobreviveu ao incêndio de 27 de janeiro por ter respirado ar do freezer da casa noturna, deixou o Hospital Conceição, em Porto Alegre. Ela é uma dos dez pacientes que receberam alta entre a tarde de anteontem e a manhã de ontem. O número de internados passou de 75 para 65.

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2013 | 02h08

Coincidentemente, a mãe da jovem, Eliete Goldani, que não estava na Kiss, também estava internada no Conceição para tratar de apendicite. Ela deixou o hospital com a filha. As duas foram para Santa Maria, onde a família mora.

Estudante de Enfermagem na Faculdade Integrada de Santa Maria e atendente do bar da Kiss havia pouco menos de dois meses, Ingrid teve a ideia, durante o incêndio, de colocar a cabeça no freezer para aspirar o máximo de ar limpo. Depois, tampou a boca com um pano e procurou a saída. Ela caiu durante o trajeto e foi levada para a rua por um desconhecido. Fora, já estava seu irmão Fábio, que escapou ileso por estar perto da porta quando a fumaça tóxica se alastrou. Apesar de ter escapado do fogo, Ingrid começou a passar mal e procurou atendimento médico ainda no domingo. Na segunda-feira, foi transferida para Porto Alegre, passou alguns dias respirando por ventilação mecânica e se recuperou.

Depois de receber alta, a jovem usou sua página no Facebook para revelar o que estava sentindo aos amigos. "Primeira noite fora do hospital, primeira noite sem aquele remédio que me ajudava a dormir, primeira noite de volta ao mundo real... Me resta deitar, rezar, orar e agradecer, porque daqui pra frente toda noite vai ser assim."

Dos 65 pacientes que permanecem internados, 39 estão em sete hospitais de Porto Alegre - entre eles, 17 permanecem sob ventilação mecânica -, 23 estão em três hospitais de Santa Maria, onde um ainda depende de aparelhos para respirar, dois estão em um hospital de Canoas e outro em um hospital de Caxias do Sul, esses sem necessidade de ventilação mecânica.

Investigação. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul decidiu procurar um jovem que teria manuseado um extintor de incêndio apenas para assustar os amigos durante uma festa na boate Kiss, em dezembro.

O delegado Sandro Meinerz, que investiga as causas do incêndio que matou 238 pessoas, disse que há uma informação de uso indevido do equipamento a ser confirmada.

Por enquanto, testemunhas relatam que, no dia da tragédia, o extintor mais perto do local do início do fogo foi acionado e não funcionou. A eventual descoberta de uso inadequado em dezembro pode ajudar a explicar a falha de janeiro.

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