Santa Ifigênia, paraíso de CPFS

Na rua é possível encontrar até informações de assinantes da Telefônica que não estão na lista

Bruno Tavares, Carolina Stanisci e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Se você quer comprar um banco de dados para o mailing da empresa, está procurando CPF, informações fiscais ou simplesmente esqueceu o endereço ou o telefone de um amigo que não quis ter os dados na lista telefônica, vá até a Santa Ifigênia.

É na folclórica rua das bugigangas eletrônicas do centro de São Paulo que o comércio de cadastros sigilosos é mais escancarado. Basta perguntar a qualquer grupo de vendedores de CDs piratas que ficam nas calçadas.

O leque de ofertas vai de dados de órgãos públicos - como Receita Federal, INSS e Detrans - a empresas privadas, como grandes bancos e Telefônica. Para verificar as informações, os vendedores indicam lan houses para que o cliente possa consultar os dados. O preço é de cerca de R$150 por CD ou DVD.

Teste. As informações são vendidas como recentes - a mais antiga, segundo os vendedores, é de 2007. Para testar sua veracidade, a reportagem se passou por um escritório de advocacia e teve acesso a duas bases: a da Receita e da Telefônica, ambas anunciadas como de 2009. A da Receita se mostrou mais velha - apesar de dados de nascimento e CPF estarem corretos, alguns endereços estavam mais de uma década atrasados.

Os dados da Telefônica, no entanto, eram bem mais novos e abrangentes. Na lista, era possível encontrar 6,15 milhões de nomes na capital e outros 4,7 milhões em outras cidades do Estado. Cada nome vinha com o respectivo telefone, endereço e CPF - com dados até de figurões da política nacional, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ex-presidentes e artistas de renome. Procurada, a Telefônica informou que não comercializa informações cadastrais de clientes.

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