Santa Casa se desdobra para cuidar do PCC

Atendimento em Venceslau exige escolta e mudança da rotina local; já na capital há denúncias de mulheres que têm de dar à luz algemadas

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h01

Localizada no oeste do Estado, a pacata cidade de Presidente Venceslau, com 38 mil habitantes, acabou ganhando fama no Estado por causa dos dois presídios locais. Mais especificamente a Penitenciária 2 Maurício Henrique Guimarães Pereira, onde estão localizados os principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Por causa da deficiência das equipes de saúde nas unidades penitenciárias, é comum que os chefões do crime paulista sejam atendidos na Santa Casa de Presidente Venceslau. Toda vez que isso acontece, a situação acaba prejudicando o cotidiano dos médicos, pacientes e dos venceslauenses em geral. Dependendo do grau de periculosidade do preso atendido, as autoridades precisam parar toda a cidade para evitar riscos de resgates ou de fugas.

Foi o caso dos atendimentos feitos a Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefão do PCC, que já foi atendido duas vezes na Santa Casa, em 2007 e em 2008. A cidade precisou parar para que ele pudesse chegar ao pronto-socorro amparado por uma ampla escolta de policiais militares. No ano passado, foi a vez de Claudio Barbará da Silva, conhecido como Barbará, outro líder da facção. "A tensão é enorme porque o preso pensa em fugir o tempo todo. Além disso, atendemos outros pacientes, como crianças, idosos e mulheres. Tudo isso acaba causando grandes transtornos, uma vez que os presos chegam acompanhados por grandes escoltas armadas", diz Antônio José Albrighi dos Santos, provedor da Santa Casa de Presidente Venceslau.

Albrighi conta que já houve casos de grávidas que ficaram em estado de choque ao se deparar com toda a parafernália que acompanha os detentos. Também aconteceu a fuga de um preso que simulava estar sentindo dores fortes. Foi feito um ultrassom que não detectou nenhum problema de saúde. O detento acabou escapando pelo ar-condicionado, depois de arrancá-lo. "Nossa obrigação é cuidar da saúde do preso e não evitar que ele fuja", diz Albrighi.

O provedor da Santa Casa defende que o governo ajude na construção de um espaço separado para que o atendimento aos detentos não constranja os demais pacientes.

Algemas. O coordenador do Núcleo do Sistema Carcerário da Defensoria Pública, Patrick Cacicedo, afirma que a falta de equipes de saúde para atendimento dos detentos é um dos mais sérios problemas do sistema penitenciário paulista. "Além da necessidade de atender os presos nos hospitais dos municípios, por falta de equipes de saúde nas penitenciárias, quando há problemas urgentes é preciso ter escoltas, que também são demoradas e prejudicam o atendimento."

Ao longo deste mês, Cacicedo acompanhou o problema envolvendo o atendimento a mulheres grávidas na Penitenciária Feminina de Santana, em São Paulo, feito em hospitais públicos. O defensor já recolheu oito depoimentos de mulheres que afirmaram ter sido algemadas ao longo do trabalho de parto e depois de dar à luz. "É um absurdo", diz. "Aguardamos a resposta do ofício que enviamos à Secretaria de Administração Penitenciária para saber as medidas que serão tomadas." /B.P.M. e C.S.

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