Santa Casa passa por fase final das obras de restauro

Neste mês, a capela recebe fim da pintura externa, que resgatou a cor laranja original da fachada, de 1901

BÁRBARA FERREIRA SANTOS , O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h01

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em Santa Cecília, centro da capital, passa por um "plano de restauração das fachadas" que prevê a reforma externa de todos os edifícios do Complexo Hospitalar. Duas obras estão sendo finalizadas: a do prédio da pediatria e da Capela Nossa Senhora da Misericórdia.

Ainda neste mês será inaugurada a fachada da capela, com o resgate da cor laranja original de 1901. O espaço passa por reforma há 12 anos, desde que começou a ter infiltrações no telhado. Durante a obra, foram encontradas camadas de tinta que escondiam pinturas artísticas góticas e retratos de santos feitos pelo artista Gino Catani - o mesmo que pintou as igrejas de Santa Ifigênia e Santa Cecília. O interior e o pé-direito da capela, que estavam cobertos por tinta cinza e imitavam granito, ganharam pinturas coloridas baseadas em fotos de 1919.

Já o prédio da pediatria foi um dos primeiros a receber as obras porque janelas e detalhes do acabamento estavam tão deteriorados que caíam na calçada e colocavam em risco os pacientes que passavam por ali. A reforma externa começou em 2011 e deve ser concluída até o fim deste semestre.

"A situação piorou muito com o passar dos anos. Durante um tempo, as venezianas foram até retiradas, porque estavam com risco de cair. Mas a falta de janelas causava um desconforto térmico muito grande para as crianças internadas", explica o diretor do Instituto de Pediatria da Santa Casa, Rogério Pecchini.

"A conservação das fachadas está sendo feita em fases, com um critério de intervenção, de manutenção e de conservação que se adapta à rotina dos hospitais, porque tem de deslocar os pacientes", explica a arquiteta contratada para a restauração, Laura Rita Facioli. "A reforma vai acontecer de acordo com a data de construção dos prédios, que foram construídos entre 1884 e 2000."

História. O complexo da Santa Casa foi construído pelo escritório de Ramos de Azevedo, em 1884. O desenho, com acabamento gótico e tijolos aparentes, foi escolhido em um concurso de arquitetos em 1876 e o ganhador foi o italiano Luiz Pucci - que projetou o Museu do Ipiranga.

O complexo foi erguido por meio de uma técnica arquitetônica "pavilhonar", com prédios dispostos lado a lado, entre corredores que facilitam a circulação e que contam com uma praça central. Os alicerces foram construídos com blocos de pedra assentados e não foi usada argamassa.

Só há mais um hospital com esse tipo de arquitetura em São Paulo: o Dom Pedro II, no Jaçanã, na zona norte. "Nesse período do século 19 era um projeto muito bem visto pela ventilação. Esse tipo de arquitetura não sobreviveu em outros países porque foi substituído por um outro padrão de arquitetura hospitalar", explica Laura Rita.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.