Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Santa Casa de Misericórdia de SP confirma plano de demissão de 152 médicos

Demissões atingem hospital público e o Santa Isabel, privado; vagas serão repostas por empresa terceirizada, mas 33 delas serão extintas

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 15h29
Atualizado 21 de fevereiro de 2019 | 17h52

Correções: 21/02/2019 | 17h52

SÃO PAULO - A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo confirmou nesta quarta-feira, 20, a proposta de um plano de demissão de 152 médicos no hospital central, que presta atendimento gratuito, e no Hospital Santa Isabel, que presta atendimento privado. Seriam cortadas 55 vagas do pronto-socorro do Santa Isabel e 64 das UTIs dos dois hospitais. Segundo a direção, essas vagas seriam assumidas por empresa terceirizada e não haverá redução de atendimento. O pronto-socorro da unidade é o principal atendimento de urgência do centro. 

Do total de demissões, no entanto, 33 vagas de outros setores do complexo hospitalar não serão repostas. A terceirização, adiantada pelo Estado na semana passada, faz parte de um plano de mudanças administrativas, em outra tentativa de estancar a crise financeira da instituição, que já dura mais de uma década. 

Conforme a Santa Casa, as vagas dos profissionais demitidos serão preenchidas por médicos terceirizados, contratados de empresa privada, que prestará serviço à entidade. Não haverá médicos terceirizados contratados diretamente, como se previa há duas semanas. O processo de desligamentos ainda não tem data para ser finalizado. 

As vagas que serão fechadas, sem substituição, são de setores como o laboratório, a câmara hiperbárica, o plantão controlador – a unidade que faz interface com os demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) para a transferência de pacientes com necessidades específicas – e de outros departamentos. Segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), a Santa Casa tem pouco menos de mil médicos. 

Na semana passada, o provedor do hospital, Antônio Penteado Mendonça, afirmou ao Estado que a reestruturação era necessária porque a média de funcionários por leito é quase o dobro de outras Santas Casas do País (4,5). A ideia, disse ele, é usar o dinheiro economizado para melhorar serviços. 

Negociação. Detalhes das mudanças foram apresentados pela Santa Casa ao Simesp em reunião anteontem. Os médicos demitidos, conforme a entidade propôs ao sindicato, terão garantidas a integralidade de seus direitos trabalhistas, incluindo salários atrasados. Mas esse pagamento será feito em até 30 parcelas. A entidade sindical marcou assembleia para hoje, para discutir as demissões com os médicos.

A empresa terceirizada que vai repor os demitidos só será escolhida após o processo de negociação entre sindicato e irmandade. “A contratação dos médicos fica sob a responsabilidade da empresa, e o início das atividades terceirizadas depende do andamento das negociações com o sindicato”, disse a entidade filantrópica, sem garantir que serão os mesmos profissionais agora desligados. Não haverá contratação direta de terceirizados, os chamados PJs (de pessoas jurídicas). 

O presidente do Simesp, Eder Gatti, afirmou, por nota, que vê a proposta “com preocupação”, “pois terceirizar irá piorar a qualidade de assistência, prejudicará as atividades de ensino na instituição e precarizará as relações de trabalho”. Para ele, a responsabilidade da crise é de um sistema com subfinanciamento e de “gestões passadas equivocadas e até mesmo investigadas criminalmente”.

 

Correções
21/02/2019 | 17h52

A primeira versão deste texto atribuia ao Sindicato dos Médicos de São Paulo informações sobre pagamentos de salários atrasados aos demitidos e parcelamento das indenizações. Na verdade, essa é a proposta da Santa Casa aos médicos, que será discutida e votada pela categoria. A negociação está em andamento.

O texto original também informava que a confirmação era das demissões, não da proposta de um plano com o total de 152 cortes. A Santa Casa está em negociação do plano com o sindicato.

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