Sanguinetti contesta laudo da polícia civil e nega esganadura

Médico-legista contratado pela defesa do casal afirmou que pretende pedir retificação a colegas de São Paulo

da Redação, estadao.com.br

26 de maio de 2008 | 15h36

O médico-legista e perito George Sanguinetti contestou nesta segunda-feira, 26, os laudos periciais oficiais da morte de Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008. Segundo o legista, os laudos apresentados pela Polícia Civil de São Paulo são nulos porque "a esganadura (de Isabella) e as agressões não estão fundamentadas". Ele também afirmou que não há elementos suficientes para provar que havia uma terceira pessoa na cena do crime e arrematou dizendo que pedirá aos colegas peritos de São Paulo que "façam retificações nos laudos".   VEJA TAMBÉM Leia as principais declarações do perito   Sanguinetti questionoutambém a qualidade do laudo e a existência de "materialidade do crime". "O laudo é nulo de direito", afirmou, questionando a validade do documento frente à Justiça. Na avaliação do médico-legista, contratado pela defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pelo crime, a asfixia não poderia ser tomada como prova, pois é apenas uma hipótese.   "Tenho certeza de que o juiz vai buscar sanar este defeito. Não vou dar minha opinião e ficar por isso mesmo." De acordo com Sanguinetti, "o perito não pode inventar, isso é novela, ilação. Por essas e tantas outras coisas, o laudo tem de ser corrigido". Mais cedo, o médico afirmou, peremptoriamente, que não houve asfixia mecânica, pois as lesões na menina não provam "esganadura". Sanguinetti ficou conhecido quando atuou no caso da morte do empresário Paulo César (PC) Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino, no dia 23 de junho de 1996.   Participam da coletiva os advogados de defesa dos Nardoni Marco Polo Levorin, Rogério Neres de Sousa e Ricardo Martins. Sanguinetti afirmou em entrevista que provará que Isabella não foi asfixiada antes de ser jogada pela janela do 6º andar do prédio onde moravam seu pai, Alexandre, e sua madrasta, na zona norte de São Paulo.   Ele mostrou croquis com as lesões que o corpo de Isabella apresentou e insistiu que o diagnóstico de esganadura não se mantém, pois havia lesões profundas no lado esquerdo do pescoço, mas no lado direito apenas hematomas. "Não há esganadura com uma mão só", argumentou. Ele disse ainda não haver lesões nas vias respiratória superiores, traquéia e brônquios. As lesões do lado esquerdo do pescoço da menina, sustenta, aconteceram na queda, pois ela foi jogada do 6º andar.   (Colaborou Carolina Freitas, da Agência Estado)

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