Sangue no carro do jogador era de Eliza

Manchas em cinco pontos da Range Rover devem ser usadas como prova do crime

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2010 | 00h00

BELO HORIZONTE

A Polícia Civil de Minas anunciou ontem que vestígios de sangue na Range Rover do goleiro Bruno Fernandes são mesmo de Eliza Samudio. Exames feitos pelo Instituto de Criminalística (IC) comprovaram sangue em cinco locais da caminhonete: na frente e abaixo da poltrona direita, na lateral direita do piso, no banco traseiro e na porta traseira direita. Três foram identificados no exame de DNA como compatíveis com o da jovem de 25 anos, desaparecida há cerca de um mês. Amostras foram confrontadas com o material cedido por Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, e o colhido do bebê da jovem. Conforme o diretor do IC, Sérgio Ribeiro, e a chefe do Laboratório do DNA, Fabíola Soares Pereira, o exame em uma amostra revelou resultado indefinido. Outra mancha apresentou perfil de DNA masculino, o que para os investigadores poderá ajudar na identificação do suposto agressor de Eliza.  

 

 

Veja também:

Bruno depõe no Rio; sangue colhido no carro do goleiro é de Eliza

Defesa de acusados quer anular versão de menor

MP denuncia Bruno por sequestro e lesão corporal

especialESPECIAL - A cronologia do caso Bruno

"Temos a materialidade indireta. Caso não se ache o corpo, já é possível fazer o delito indireto do crime de homicídio. Somos levados a concluir por tudo o que foi investigado que Eliza está morta", disse o chefe do Departamento de Investigação, Edson Moreira. Será coletado material genético de todos os suspeitos, inclusive de Bruno. "Qual o motivador maior do crime? Não é a briga pela paternidade? Lógico que vamos recolher."

Segundo o delegado, a jovem teria sido assassinada no sítio de Bruno, localizado em Esmeraldas (MG), entre os dias 7 e 9 de junho. E o goleiro do Flamengo estaria entre os agressores.

Sob suspeita. À polícia do Rio, o adolescente J. disse que viajava escondido na Range Rover quando Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, levava Eliza a Minas. Ele a teria agredido com uma coronhada. Para o delegado, J. teve participação no crime, mas seu depoimento revela uma tentativa de acobertar o envolvimento de Bruno. "Da maneira em que foi narrada, a dinâmica não bate com as investigações."

Passo a passo do crime (segundo depoimento de J.)

1. Sequestro. Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, teria convencido Eliza a ir com o filho de 4 meses para o sítio do goleiro Bruno, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde seria discutida a disputa sobre a paternidade da criança. O carro usado para levar Eliza foi a Range Rover do goleiro. J., de 17 anos, estaria escondido no porta-malas, com uma arma.

2. Adolescente. J. morava na casa do goleiro no Recreio dos Bandeirantes. Bruno e o pai do adolescente são primos próximos desde a infância, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. O rapaz passava o fim de semana com a família em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, quando foi chamado pelo goleiro e levado de volta ao Recreio.

3. Agressão. No caminho para o sítio do goleiro do Flamengo, J. teria passado do porta-malas para o banco traseiro com o carro em movimento e gritado: "Perdeu, Eliza". Eliza e J. brigaram. A estudante pegou a arma de J. e tentou atirar, mas não havia munição. O rapaz recuperou a arma e deu três coronhadas na cabeça da vítima, que ficou desacordada.

4. Morte. Segundo J., Eliza ficou em cárcere privado por quase uma semana. Ele disse que viu Sérgio Rosa Sales obrigar Eliza a ligar para uma amiga de São Paulo e dizer que estava tudo bem e que ia receber dinheiro e um apartamento. Bruno foi ao sítio e mandou que Macarrão, Sérgio e o adolescente resolvessem o problema e que não queria saber de nada.

5. Morte. Macarrão, Sérgio, J., Eliza e o filho foram para um local "que parecia um sítio". Lá, um homem alto e negro, o Neném, teria sufocado Eliza. J. ainda teria visto o homem alto carregando um saco para um canil com quatro rottweilers. Do saco, tirou a mão da vítima e jogou para os cães. Os ossos de Eliza teriam sido cimentados no mesmo imóvel.

6. Entrevista. A investigação avançou após a entrevista do tio de J. à Rádio Tupi, no Rio. O motorista de ônibus José Carlos revelou detalhes sobre o assassinato de Eliza. Depois da entrevista, o adolescente foi encontrado na casa de Bruno, confessou sua participação no caso e deu subsídios para o pedido de prisão preventiva do goleiro e mais seis suspeitos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.